'Volta Lula não cola. Somos indissociáveis', diz Dilma

Presidente afirma que antecessor 'não vai voltar porque não saiu', considera reforma política 'pedido de todo mundo' e nega mudanças em ministérios

O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2013 | 02h12

A presidente Dilma Rousseff disse que seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva "não vai voltar porque não saiu" da vida pública e que os dois são "indissociáveis". "Esse tipo de coisa não gruda, não cola. Falar em 'Volta Lula' e tal... eu acho que o Lula não vai voltar porque ele não foi."

Em entrevista publicada hoje pelo jornal Folha de S.Paulo, Dilma afirmou que tentativas de usar o ex-presidente como crítica a seu estilo não a incomodam "nem um pouquinho". Desde que pesquisas começaram a registrar queda de popularidade do governo, após as manifestações de rua de junho, ressurgiu no PT defensores de que Lula volte a disputar a Presidência.

Questionada sobre o resultado dos últimos levantamentos de intenção de voto e avaliações do governo, a presidente desconversou e disse saber "perfeitamente que tudo o que sobe, desce, e tudo o que desce, sobe".

Na entrevista, Dilma voltou a defender o plebiscito sugerido pelo governo, mas rechaçado pela maioria do Congresso. A presidente disse que a consulta popular daria mais legitimidade a mudanças na política. "Eu penso que é importante sair (o plebiscito). Se você não escutar a voz das ruas, terá novos problemas."

Sobre a crítica de que esse não era um tema reivindicado pelos protestos, Dilma argumentou: "Pois acho que tá todo mundo pedindo reforma política. As manifestações podiam não ter ainda um amadurecimento político, mas uma parte tem a ver com representatividade, valores, o que diz respeito ao sistema político".

Economia. A presidente negou que esteja pensando em cortar o número de ministérios, medida defendida por aliados de peso, como o PMDB. Segundo Dilma, isso não reduziria custos e atingiria pastas que foram criadas para defender o direito das minorias.

Dilma garantiu a permanência do ministro Guido Mantega na Fazenda. "E vocês podem me matar que eu não vou falar de reforma ministerial", disse.

Com um forte discurso de defesa da política econômica do governo, a presidente afirmou que sua equipe tomou todas as medidas para a "redução de custeio" e, ao falar de inflação, criticou o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso: "Cumpriremos a meta de inflação pelo décimo ano consecutivo. Sabe em quantos anos o Fernando Henrique não cumpriu a meta? Em três dos quatro anos dele (em que a meta vigorou)".

Para Dilma, a inflação está "cadente" e o desemprego, sob controle. A presidente disse ainda que é "tolice meridiana falar que o País não cresce puxado pelo consumo", mas concordou que é preciso investir mais.

Recado. Um ministro próximo à presidente disse que a entrevista deixou um recado: "Ela (Dilma) quer dizer que os cabeças ocas que falam 'Volta Lula' vão ficar falando sozinhos".

Para o ex-governador de São Paulo e vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman, Dilma está certa ao dizer que é "indissociável" de Lula, pois ela seria uma "criatura" do ex-presidente, "sem vida própria". Goldman também critica o fato de a presidente afirmar que a inflação está sob controle: "Essa é uma atitude de quem desconhece a realidade e tenta fugir do momento difícil pelo qual o País passa".

Sobre a intenção da presidente de manter o atual número de ministérios, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), afirmou que isso não mexerá no ânimo do seu partido de apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para limitar a 20 a quantidade de pastas. / COLABOROU RICARDO BRITO

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