Andre Dusek/Estadão e Lincon Zarbietti/AFP
Andre Dusek/Estadão e Lincon Zarbietti/AFP

Vitórias sobre Marina em Estados-chave garantem Aécio no 2º turno contra Dilma

Tucano supera adversária do PSB em áreas das regiões Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste; presidente se mantém forte no Nordeste

Daniel Bramatti, O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2014 | 22h15

Atualizada às 22h50

Com 34,8 milhões de votos, o equivalente a 33,5% do total, o tucano Aécio Neves teve um desempenho surpreendente e ficou apenas 8 pontos porcentuais atrás da presidente Dilma Rousseff (PT), com quem disputará o 2.º turno. 

Será a sexta disputa consecutiva pelo Palácio do Planalto em que os dois principais protagonistas serão do PT e do PSDB - as duas primeiras foram vencidas pelos tucanos, e as três últimas, pelos petistas.

Dilma teve 43,2 milhões de votos, ou 42% dos votos válidos. Em 2010, no primeiro turno, ela conquistou 47% do eleitorado.

Marina Silva (PSB), que se apresentou como alternativa para romper a polarização entre os dois partidos, acabou em terceiro lugar, com 21,3% dos votos. Nos últimos dias, ela perdeu eleitores na mesma velocidade com que ganhou na reta final da eleição de 2010, quando concorreu pelo PV e também ficou em terceiro lugar, com 19%.

Dilma venceu em 15 Estados, três a menos do que no primeiro turno da eleição passada.

Os melhores desempenhos da presidente, em termos proporcionais, foram registrados no Nordeste. No Piauí, Maranhão e Ceará, ela rondou os 70% dos votos válidos.

No Nordeste, segundo a série de pesquisas Ibope, quase um em cada três eleitores são beneficiados por pelo menos um programa social do governo - o mais abrangente é o Bolsa Família, que chega a 22% dos entrevistados pelo instituto.

Em termos absolutos, a maior vantagem de Dilma foi registrada na Bahia. Foram 3 milhões de votos a mais do que Marina e Aécio, que ficaram praticamente empatados, com 18%.

Em termos políticos, a vitória de maior peso ocorreu em Minas Gerais, terra de Aécio e sede da segunda mais poderosa e longeva máquina tucana de governo, instalada desde 2002. Mas Dilma teve vantagem apertada: foram 43%, 40% e 14% para os candidatos do PT, do PSDB e do PSB, respectivamente.

Em relação ao mapa eleitoral do primeiro turno de 2010, as principais diferenças para Dilma foram a perda de Goiás, Espírito Santo e Pernambuco, Estados onde ela havia ficado à frente há quatro anos.

Durante quase toda a etapa oficial da campanha, Aécio ficou em terceiro lugar - posto para o qual caiu com a entrada de Marina na corrida eleitoral, após o acidente que matou o ex-governador Eduardo Campos (PSB), em 13 de agosto. A virada em relação à adversária do PSB ocorreu apenas na pesquisa divulgada na véspera da eleição. 

O tucano venceu em nove Estados. Ele ficou à frente de Marina em unidades da Federação com alta densidade eleitoral, como São Paulo e Minas. No Rio de Janeiro, que abriga o terceiro maior eleitorado do País, Marina levou vantagem em relação ao tucano.

Na divisão do voto por regiões, Aécio levou vantagem em relação a Marina no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste.

Apesar do insucesso, Marina chegou a se constituir na maior promessa - ou ameaça, a depender do ponto de vista - de quebra da dicotomia PT-PSDB no poder. Até o início de setembro, as pesquisas indicavam que derrotaria Dilma no segundo turno. Contados os votos, ela venceu apenas no Acre, sua terra natal, e em Pernambuco, onde herdou parte do eleitorado de Eduardo Campos.

Nanicos. No bloco dos candidatos nanicos à Presidência da República, Luciana Genro, do PSOL, foi a vencedora. Quarta colocada, ela obteve 1,6 milhão de votos, ou 1,6% dos válidos. Com isso, três mulheres ocuparam as quatro primeiras colocações na disputa - um fato inédito.

A candidata do PSOL teve o dobro de votos do terceiro colocado, Pastor Everaldo, do PSC (0,8%). A seguir ficaram Eduardo Jorge, do PV, com 0,6%, e Levy Fidelix, do PRTB, com 0,4%.

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