Vitória de Dilma seria caminho para volta de Lula, dizem petistas

Rui Falcão e Emídio de Souza, presidente nacional e estadual do PT, aproveitaram para defender candidatura de Padilha em SP

Carla Araújo e Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2014 | 20h27

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, e o presidente estadual do partido, Emídio de Souza, deram nesta sexta-feira declarações sobre a volta de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência em 2018. Durante plenária do partido em São Paulo, Falcão afirmou que é preciso preparar a volta do ex-presidente para o Palácio do Planalto. Já Emídio defendeu a vitória da atual candidata do partido, Dilma Rousseff como "o caminho mais rápido" para Lula ser novamente o chefe de Estado no Brasil.  A frase foi dita após um ato falho do dirigente ao destacar à militância que, apesar dos problemas com material de campanha, agora haverá uma intensificação de distribuição.

"É evidente que nós tivemos dificuldades com material no último período. Desde quinta-feira todas as macrorregiões e as cidades estão recebendo panfletos à vontade com os principais pontos do programa do Padilha, recebendo cédula do Lula", disse. Ao corrigir e dizer que eram cédulas de Dilma, Emidio emendou e falou a frase acima.

"Temo que eleger a Dilma para dar continuidade nesse processo e preparar a volta do Lula em 2018", disse Rui Falcão .Mais cedo, ele descartou movimento de 'volta Lula' para essas eleições. Questionado sobre rumores de que a ideia teria ganhado força novamente nos últimos dias, Falcão afirmou que "nunca soube disso". "O que eu vi foi um site fake que por sinal já foi retirado do ar."

Em seu discurso, Falcão reforçou que a campanha de Dilma não vai atacar a figura pessoal da Marina Silva (PSB). "Nós não temos absolutamente nada contra a Marina Silva, o que nós temos contra é o programa que ela encampou, as ideias que ela passou a defender", disse.

O petista também ironizou as recentes alterações no programa de governo de Marina. "(somos contra) o programa que ela escreveu como oficial, embora tenha mudado alguns pontos depois de um twitter", disse em referência a alteração de pontos do programa a respeito das causas LGBT, que teriam sido feitas após críticas de lideranças evangélicas. "(A campanha) Não é uma disputa de personalidades, não é um ataque às pessoas, é ataque duro aquelas ideias que representam um retrocesso", reforçou.

Falcão criticou novamente a política econômica do programa de Marina e disse que "não dá cheque em branco nem para as pessoas que a gente elege, porque queremos fiscalizar" e disparou: "Não dou cheque em branco para o banco Itaú", em referência a participação da herdeira da instituição, Neca Setúbal, fazer parte da campanha de Marina.

Falcão também fez uma defesa da candidatura de Padilha e disso que ela está muito vinculada a campanha de Dilma em São Paulo. Além disso, Falcão afirmou que a eleição de Padilha "é uma grande, radical e profunda transformação em São Paulo".

Endosso. Um pouco antes, Emídio também aproveitou o discurso para fazer a apoiar a candidatura ao governo de São Paulo, que está no evento, mas reconheceu que há dificuldades para a candidatura. "Vamos precisar de muito esforço do nosso partido", disse. "Talvez esse momento seja um dos mais duros que atravessamos, mas é nos momentos difíceis que os petistas mostram o seu valor", reforçou.

Nesta sexta-feira o líder do PT no Senado, Humberto Costa, afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em conversas com aliados em Pernambuco quinta-feira, não poupou críticas à condução da campanha de Padilha. "Quem está fazendo a campanha que o PT deveria fazer é o Paulo Skaf (PMDB)", disse Lula, segundo relato do senador Humberto Costa.

Segundo Emidio, ficou decidido na reunião de hoje que diversos ministros irão intensificar agendas para a candidatura de Padilha. "Todos os ministros do Estado de São Paulo, o tempo que puderem nos finais de semana, fora do horário expediente (vão se dedicar à campanha do Padilha)" . Sem a presença da presidente Dilma Rousseff, o evento conta com diversas lideranças petistas.

A principal estrela é justamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Estão presentes ainda os ministros Ricardo Berzoini, Artur Chioro e Marta Suplicy, o prefeito Fernando Haddad, o presidente do PT nacional, Rui Falcão, o coordenador da campanha da Dilma no Estado, Luiz Marinho, o coordenador financeiro da campanha de Dilma, Edinho da Silva, o senador e candidato à reeleição Eduardo Suplicy.

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