Visto combate 'rede criminosa', diz Dilma no Haiti

Presidente aproveita a breve visita ao país mais pobre das Américas para esclarecer a nova política estabelecida pelo governo brasileiro aos haitianos

LISANDRA PARAGUASSU, ENVIADA ESPECIAL , PORTO PRÍNCIPE (HAITI), O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 03h02

Em sua primeira visita oficial ao país mais pobre das Américas, a presidente Dilma Rousseff preocupou-se em dar explicações públicas sobre o funcionamento do novo mecanismo de concessão de vistos do Brasil a haitianos e justificou a medida como uma política para coibir a ação de "coiotes" que cobram para levar imigrantes ilegais ao País.

"Deixei claro que estamos abertos a receber os cidadãos haitianos que quiserem procurar uma oportunidade no Brasil. Devemos combater a rede criminosa de intermediários que se aproveitam dos trabalhadores e de suas famílias", disse Dilma.

A decisão do Brasil de conceder cem vistos mensais de trabalho a haitianos, mesmo sem vínculos de contrato, foi bem recebida pelo governo local.

Desde a decisão de emitir vistos de trabalho especiais para os haitianos o governo brasileiro calculava como iria divulgar a medida para evitar que os imigrantes continuassem usando a chamada "rede de coiotes". Ao mesmo tempo, a avaliação era de que seria necessário muito cuidado para que não parecesse que o Brasil estava chamando os haitianos para imigrar. A declaração de Dilma mirou especialmente a imprensa do país, que deve repercutir a decisão de conceder os vistos especiais.

Celebridade. Recebida com festa pelos haitianos, Dilma visitou o Batalhão Brasileiro (Brabatt) no Haiti, tirou fotos e conversou com os soldados e terminou sua viagem em um encontro com representantes de ONGs que atuam no país. Entre eles, o ator americano Sean Penn, que dirige um campo de desalojados pelo terremoto e um projeto de água potável.

Na visita ao Brabatt, Dilma foi acompanhada pelo presidente haitiano, Michel Martelly, que também foi recebido com festa por seus conterrâneos.

Em um curto discurso em português, Martelly agradeceu o trabalho dos soldados brasileiros. Mas acrescentou: "Espero um dia poder falar aqui às tropas haitianas, que estarão nesse mesmo lugar". Reestruturar as forças armadas foi uma de suas promessas de campanha.

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