Vice-presidente da CPI defende que Perillo seja indiciado

Petista Paulo Teixeira afirmou ainda que o governador de Goiás tem de ser reconvocado para depor em agosto

RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2012 | 03h01

O vice-presidente da CPI do Cachoeira, o deputado petista Paulo Teixeira (SP), defendeu o indiciamento do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), por envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Um relatório da Polícia Federal diz que Perillo firmou um "compromisso" com a Delta Construções, assim que assumiu o cargo, no ano passado. O acordo contava, diz a PF, com a intermediação de Cachoeira.

O acerto incluiria a liberação de créditos milionários da empreiteira com o governo goiano mediante suposto pagamento de propina a Perillo. O primeiro "compromisso", segundo reportagem da revista Época desta semana, teria sido a compra da casa do governador de Goiás pelo contraventor. "Fechou o cerco. O relatório da Polícia Federal é a prova cabal de que a venda da casa foi para Cachoeira, foi pago com dinheiro da Delta e que houve uma vinculação entre os pagamentos de créditos para a empreiteira e a quitação das parcelas pela casa", afirmou Teixeira. "Tem muitos tipos penais que ele será enquadrado."

A CPI tem prazo para encerrar os trabalhos em novembro, caso não seja prorrogada. Suas conclusões serão remetidas para o Ministério Público, que poderá, ou não, acatá-las. O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), preferiu não comentar a sugestão feita pelo colega de partido. "Não vou antecipar minha opinião a respeito do relatório final", disse. Para Cunha, os fatos reforçam sua afirmação de que Perillo "mentiu" à CPI.

Imóvel. Em depoimento à comissão, Perillo negou saber quem havia comprado a casa e disse que o ex-vereador Wladimir Garcez (PSDB) fez a negociação. O Estado não localizou o advogado do governador, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

Teixeira afirmou ainda que Perillo tem de ser reconvocado para depor em agosto. Hoje, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) deve apresentar um requerimento para chamar novamente o governador tucano.

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