Vice-prefeita afirma que processo é 'demorado'

Alda Marco Antonio reclama de excesso de pedidos feitos pelo governo federal na hora do cadastramento

O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2012 | 02h08

Vice-prefeita e secretária de Desenvolvimento Social de São Paulo, Alda Marco Antonio (PSD) atribuiu o baixo índice de inscrição de famílias no Bolsa Família à dificuldade para se fazer o cadastramento. "Desde o segundo semestre do ano passado, o governo federal mudou o modelo de cadastramento, para atender a todos programas sociais e não apenas o Bolsa Família. Ficou muito mais difícil e demorado", disse ela.

Segundo a secretária, em 2009, quando assumiu o cargo, existiam 150 mil famílias inscritas. "Conseguimos melhorar esse índice e estamos chegando a 227 mil famílias, porque aumentamos de 6 para 46 o número de postos de inscrição, passamos a utilizar três carretas como unidades móveis para atender áreas carentes e contratamos digitadores que trabalham à noite, enviando os dados para Brasília", explicou. "No meio do processo, porém, o governo dificultou o trabalho, com questionários longos e novas exigências."

Na quinta-feira, o Estado visitou, em Sapopemba, na zona leste, uma das carretas que funcionam como postos móveis. Uma das pessoas atendidas no dia foi a ex-empregada doméstica Márcia Souza Santos, de 50 anos.

Ela contou que, após trabalhar durante quase 20 anos em casas de família, teve que parar em 2010 por causa de um acidente vascular cerebral, que deixou como sequela a paralisação de parte do corpo. "Já melhorei, mas ainda puxo das duas pernas."

Sem aposentadoria, sobrevive com o apoio de uma ex-patroa e a ajuda de duas irmãs e dos vizinhos da favela onde mora.

Mesmo com dificuldade para andar, na quinta-feira ela chegou ao posto, no pátio do Mercado Municipal Teotônio Vilela, às 6h30. "Já tinha gente aqui", contou. "Tem que chegar cedo para pegar a senha. Eles só dão para os cem que chegam primeiro."

Às 16 horas, quando deixou o lugar, disse ainda não saber quanto vai receber se a inscrição for aceita. "Diz o povo que é R$ 80. Isso me ajudaria muito, sabe?"

A dona de casa Iraci Miranda, de 42 anos, estava na fila para atualizar os dados do cadastro. Separada, com dois filhos e uma deficiência visual que a impede de trabalhar, recebe R$ 140 mensais. "Nesse mês o dinheiro não veio", contou. "Procurei a assistência social e disseram que preciso atualizar o cadastro."/ R.A.

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