Alex Silva/AE
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Vice de Paulinho diz que apoiaria Haddad em 2º turno

Joaquim Grava acredita, contudo, que depois de Paulinho, Gabriel Chalita é o melhor candidato

Guilherme Waltenberg, de O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2012 | 18h18

Candidato a vice-prefeito de São Paulo na chapa de Paulinho da Força (PDT), o médico do Corinthians, Joaquim Grava, afirmou não ter esperanças de vencer estas eleições, sob a justificativa de que é uma pessoa "realista". Dentre os concorrentes com melhor colocação nas pesquisas, Fernando Haddad (PT) é o que, na sua avaliação pessoal, mereceria seu apoio num eventual segundo turno. "Pelo seu envolvimento com o governo federal, teria mais acesso aos recursos", disse, numa alusão ao apoio da presidente Dilma Rousseff à candidatura petista. No entanto, acredita que o melhor prefeito para São Paulo, depois de Paulinho, seria Gabriel Chalita (candidato do PMDB) "pela capacidade, pela jovialidade e pelas intenções".

Em um contraponto aos elogios a Chalita e a Haddad, Grava não poupou críticas ao atual líder nas pesquisas de intenção de voto, o candidato do PRB, Celso Russomanno. Questionado sobre como vê essa liderança de Russomanno, considerado por analistas como o fenômeno deste pleito, o vice de Paulinho cravou: "O único fenômeno que eu conheço é o Ronaldo (ex-craque da seleção e do Corinthians)". E continuou: "Não gosto desse rapaz (Russomanno). Não gosto da postura dele. Quando ele fala não parece verdadeiro, parece que quer utilizar a cidade de São Paulo. E o partido dele é lamentável." Ao falar sobre José Serra (PSDB), frisou: "Foi um grande político, mas tem que saber a hora de parar."

Joaquim Grava, que foi o primeiro candidato a vice no pleito em São Paulo a ser entrevistado nesta terça-feira, 4, para a série de Entrevistas Estadão, falou também da participação dos chamados padrinhos políticos nesta campanha. E disse não apoiar a superexposição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha de Fernando Haddad. "Lula tinha que ficar no lugar dele. Fez um excelente governo, é um dos exemplos desse País. Poderia dar apoio, mas não pode se expor muito, até porque a própria doença dele exige descanso", afirmou.

 

Ao falar de seus planos políticos, o vice na chapa de Paulinho disse que essa será sua "primeira e última eleição", pois não tem planos de continuar na vida política. "Estou aproveitando a oportunidade porque (a minha candidatura) é uma base para o Paulo (Paulinho da Força). Ele é jovem, bem intencionado", defendeu. Grava disse não cogitar sequer candidatar-se a vereador. "Para quê? Para dar nome a rua, praça?", ironizou.

Secretaria da doença. Na sua avaliação, um dos maiores problemas enfrentados pela população é na área da saúde, sua especialidade. Ele disse que não adianta construir novos hospitais se os já existentes não funcionam direito, sem médicos e equipamentos. E defendeu até mesmo a mudança no atual modelo dessa secretaria. "Secretaria da Saúde é a que dá vitamina, promove o esporte. Teria de ter uma secretaria da doença", propôs. Indagado se aceitaria o cargo de secretário dessa pasta, disse que sim. Grava argumentou que conseguiria, no prazo de um mês, diminuir em até 28% o tempo de espera dos pacientes. "Em três anos deixaria os hospitais de São Paulo em condições de atender a população."

Apesar das críticas que fez à atual gestão municipal, o vice de Paulinho informou que na eleição municipal passada votou em Gilberto Kassab (PSD). E disse não estar arrependido. Mesmo assim, criticou a promessa que ele fez de construir três novos hospitais. "Ele não ia construir nada. Não temos tempo hábil para fazer isso. Isso é uma brincadeira, é um engodo", argumentou. E voltou às críticas: "Políticos são mentirosos e o povo de São Paulo acredita em mentiras, infelizmente", ponderando: Paulinho (candidato do PDT) não promete muito. Não está prometendo nada, está com os pés no chão."

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