Vereadores já ensaiam frente pró-Kassab no PT

Pelo menos 4 dos 11 petistas da Câmara são favoráveis à aliança com o PSD; 3 resistem, mas vão seguir decisão da maioria

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2012 | 03h04

A ação deflagrada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para convencer o PT a aceitar a aliança com o PSD nas eleições de 2012 em São Paulo começa a quebrar a resistência de vereadores e deputados e a ganhar força no partido. Mesmo cientes das dificuldades que enfrentarão em suas bases e com a opinião pública, petistas já defendem abertamente a composição com o partido de Gilberto Kassab.

"Se há esse entendimento por parte do ex-presidente Lula, que tem uma visão muito ampla na política, e ele acha que isso é bom para o PT, não tem motivos para os vereadores se posicionarem contrariamente", afirma o vereador Senival Moura.

"Se o Lula é favorável, eu sou favorável. A opinião dele dentro do partido é muito forte. Para ganhar dos tucanos, temos que fazer todos os esforços", sustenta o também vereador Arselino Tatto. "Apoio não se recusa."

Senival e Tatto integram um time de quatro vereadores que apoiam integralmente a ideia. Fazem parte do grupo Francisco Chagas e Zelão. A bancada do PT na Câmara tem 11 vereadores.

O Estado apurou que os vereadores Alfredinho, José Américo e Ítalo Cardoso têm reservas à ideia, mas não se oporiam à composição com o PSD caso o debate prospere no PT.

"A princípio sou contra, mas quero saber o que propõe o prefeito, qual o sentido dessa aliança. Um político nunca pode ter uma posição fechada. Pode haver uma mudança sim", diz Alfredinho, segundo quem o peso da posição de Lula pode mudar a posição de outros colegas também.

Por ora, a única a repudiar publicamente a aliança é Juliana Cardoso. "É um prefeito completamente higienista. Não gosta do povo, não dialoga. Essa aproximação é oportunista." Ela aposta na mobilização da base petista para que o acordo seja barrado. "A militância não vai deixar isso acontecer."

Dos outros três vereadores, dois são considerados incógnitas: Carlos Neder e Chico Macena. O terceiro, Antonio Donato, forte crítico da administração kassabista, deve manter posição neutra por presidir o diretório municipal do PT e atuar como espécie de árbitro do processo.

Tido como um dos principais defensores da aliança, o presidente estadual do PT, deputado Edinho Silva, um dos articuladores do processo, defende o diálogo com Kassab em prol do projeto nacional. "Não tem nada mais importante para o PT do que o governo federal. Se o PSD se aproxima para dar sustentação ao projeto nacional, sustento que mantenhamos o diálogo. Se for possível a aliança, vamos fazer".

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Teixeira, também defende as conversas. "Fazemos oposição a ele, mas na medida em que ele nos procura para apoiar, reconhece a correição do nosso programa. Temos que estar abertos a discutir." Na semana passada, em entrevista à TV Gazeta, questionado sobre a possibilidade de o PSD indicar um vice na chapa petista, Teixeira respondeu: "Se ele puser um vice como o ex-presidente do Banco Central (Henrique Meirelles), que serviu dentro do governo do ex-presidente Lula, dá certo".

Ontem, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), escalado para ajudar Haddad na campanha, esteve ao lado de Kassab em visita à cracolândia. Eles fizeram questão de demonstrar um bom relacionamento. Padilha evitou críticas à ação da PM na cracolândia e defendeu a ação conjunta: "Existem várias ações no âmbito da Prefeitura que o Ministério não precisa ser avisado." / COLABOROU WLADIMIR D'ANDRADE

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