Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Vereadores de SP paralisam votações para fazer campanha

Nenhuma proposta será discutida na Casa até o próximo dia 10; foram suspensas as votações e sessões extraordinárias

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h06

A dez dias das eleições, a Câmara Municipal de São Paulo, a mais cara do Brasil, suspendeu as votações e sessões extraordinárias. Nenhuma proposta do Executivo ou de autoria dos parlamentares será discutida até o dia 10 de outubro. Gabinetes de lideranças partidárias, onde são lotados funcionários comissionados com salários de até R$ 15 mil mensais, estão de portas fechadas - boa parte desses assessores, segundo apurou o Estado, também está em campanha nas ruas e em escritórios políticos.

A CPI para apurar a causa dos incêndios nas favelas da capital foi adiada ontem pela quinta vez consecutiva por falta de quórum.

A missão dos vereadores paulistanos desta vez não é só tentar a reeleição. Com a disputa cada vez mais acirrada entre os candidatos José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) por uma vaga no segundo turno, parlamentares donos de redutos eleitorais nas periferias se tornaram um trunfo. Serra, por exemplo, tem pedido pessoalmente um esforço dos vereadores Milton Leite (DEM) e Antonio Carlos Rodrigues (PR) para pedirem votos nas ruas para ele em suas regiões no extremo da zona sul, tradicionalmente dominadas por petistas. Haddad, por sua vez, tem recorrido até a antigos cabos eleitorais do ex-prefeito Paulo Maluf - como o vereador Wadih Mutran (PP) - para tentar penetrar em redutos conservadores como o bairro da Vila Maria, na zona norte.

"O vereador é mais próximo da população do que os próprios candidatos ao Executivo. Numa disputa como essa, entre Haddad e Serra, o corpo a corpo do parlamentar no bairro pode ser decisivo para ver quem vai ao segundo turno", afirma Roberto Trípoli (PV), ex-presidente do Legislativo e atual líder de governo.

"São só duas semanas de paralisação. Não dá para negar que está todo mundo com a cabeça na campanha", emenda o ex-tucano Juscelino Gadelha (PSB), que agora tem de pedir votos para Haddad. "Não é fácil. Boa parte da minha base é Serra", admite.

Tamanho empenho na campanha esvaziou os corredores e o plenário do Legislativo paulistano, cujo custo diário aos contribuintes é de R$ 1,25 milhão, ou R$ 455 milhões por ano. Fora a proposta do prefeito Gilberto Kassab (PSD) que deu anistia para um templo da Igreja Mundial construído de forma irregular em Santo Amaro, na zona sul, nenhum outro projeto relevante ou com mudanças para a cidade foi votado. O pacote tributário do Executivo que prevê cobrança de ISS para empresas de fora da capital e pode gerar quase R$ 300 milhões de arrecadação adicional à Prefeitura estava na pauta da sessão extraordinária que seria realizada ontem. Boa parte dos vereadores aparece nas sessões, marca a presença que evita o desconto salarial de R$ 465 e volta para sua agenda de campanha, longe do Palácio Anchieta.

Tudo o que sabemos sobre:
eleições 2012RussomannoSerraHaddad

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.