Vereador de 'grife', o recomeço de Orlando Silva

Ex-ministro nunca disputou eleição, mas deve buscar vaga de vereador em 2012 ao lado de nomes que em 2010 disputaram postos de senador e governador

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2011 | 03h06

Acostumados aos holofotes, políticos de expressão nacional se preparam para recomeçar do zero suas carreiras com a disputa de uma vaga de vereador nas eleições de 2012. O mais novo do time dos futuros vereadores de grife é o ex-ministro Orlando Silva (PC do B) que, mal deixou a pasta do Esporte, surpreendeu a todos com a intenção de concorrer a uma das 55 cadeiras da Câmara Municipal de São Paulo.

Orlando é um estranho no ninho na safra de prováveis supervereadores que cogitam entrar corrida municipal. Ao contrário de outros renomados políticos, o ex-ministro nunca exerceu mandato eletivo na vida. Aos 40 anos de idade, tem larga experiência como líder estudantil - foi presidente da União Nacional dos Estudantes na década de 90 -, mas jamais disputou uma eleição.

No ano passado, Orlando ensaiou uma candidatura a deputado federal, mas foi demovido da ideia pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a promessa de que permaneceria à frente do Esporte para cuidar da Copa do Mundo, em 2014, e dos Jogos Olímpicos, em 2016. Acabou abatido por denúncias de envolvimento em um suposto esquema de desvio de verbas de programas do Esporte e, agora, estudar alçar voo como vereador.

Afinal, o candidato do PC do B à Prefeitura de São Paulo, pelo menos no momento, é o cantor e vereador Netinho de Paula.

Exceções à parte, a safra de vereadores de grife é composta basicamente de derrotados nas eleições de 2010. É o caso do ex-prefeito Cesar Maia (DEM-RJ), dos ex-deputados Fernando Gabeira (PV-RJ) e Indio da Costa (PSD-RJ) e dos ex-senadores tucanos Arthur Virgílio (AM) e Tasso Jereissati (CE). Todos têm um objetivo em comum: fortalecer seus partidos nas eleições municipais como puxadores de votos.

Heloisa. A figura de vereador de grife não é novidade. Uma das pioneiras foi a ex-senadora Heloisa Helena (PSOL-AL). Derrotada nas eleições presidenciais de 2006 e sem mandato, Heloisa conquistou uma cadeira na Câmara de Maceió, em 2008. "Acho que é positivo o lançamento de candidaturas como as de Cesar Maia e Gabeira porque valoriza uma instituição que, em geral, é dominada por uma pequena política", diz o líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), que iniciou a carreira política como vereador na década de 90. "É melhor ter figuras como essas, que têm tradição na política, do que uma mera celebridade", conclui.

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