'Vendedores do caos' vão perder, diz presidente

Em Curitiba, ao lado de Lula, Dilma critica 'alarmistas' e afirma que desemprego está 'no menor nível em 20 anos'

Fernando Gallo, enviado especial / Curitiba, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2013 | 02h03

A presidente Dilma Rousseff criticou ontem o que chamou de "vendedores do caos" que, segundo ela, usam de métodos "alarmistas" para dizer que a economia do País está desandando. Ela também afirmou que "quem apostar que a inflação vai ficar fora de controle, vai perder feio".

Dilma reforçou a tática de fazer propaganda de indicadores positivos da economia do governo federal, como forma de rebater as críticas que tem recebido em relação à alta da inflação e dos gastos públicos. Anteontem - durante cerimônia de lançamento de linha de crédito de R$ 5 mil para beneficiários do Minha Casa, Minha Vida para a compra de móveis e eletrodomésticos -, a presidente comparou os opositores ao Velho do Restelo, personagem pessimista do clássico Os Lusíadas, de Luís de Camões.

A maior parte dos ataques vem de dois de seus prováveis adversários na disputa presidencial de 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

"O Brasil tem um segmento pequeno, mas muito atuante de vendedores do caos", disse ela ontem, em Curitiba (PR), a uma plateia petista, durante seminário sobre os dez anos da experiência do PT no governo federal. "Há pouco tempo tentaram se aproveitar de fatores naturais transitórios para dizer que a inflação estava voltando e o governo perdera o controle das contas pública. Isso é uma grande falsidade."

Dilma ainda disse que os "pessimistas" buscam "novos formatos para uma espécie de baixo astral que tenta voltar sempre". "Eles usam métodos bastante alarmistas."

A presidente reconheceu o baixo crescimento do Produto Interno Brasileiro (PIB) nos anos de seu governo, mas sustentou que, assim que assumiu, houve um "recrudescimento da crise internacional". "De fato não tivemos taxas exuberantes de crescimento econômico, mas em contrapartida, o desemprego está no seu menor nível em 20 anos."

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva endossou as críticas de Dilma e afirmou ser "impressionante a falta de verdade no noticiário brasileiro sobre a economia". Para Lula, o Brasil vive um momento "excepcional"; ele se diz cansado de "palpites" das agências classificadoras de risco econômico - na semana passada a Standard&Poors rebaixou o status do Brasil. Lula ainda criticou os empresários que reclamam da condução da economia apesar das desonerações setoriais promovidas pelo governo Dilma.

"Só nesse ano o governo desonerou as empresas em R$ 45 bilhões na expectativa de que os empresários voltem a investir mais. Será que esse dinheiro seria melhor se a gente distribuísse pro povo pobre virar consumidor desse País? Eles (os críticos) são insaciáveis!"

Candidato. O ex-presidente afirmou que há pessoas que dizem que ele voltará a ser candidato, mas descartou qualquer divergência com a presidente Dilma Rousseff. "Se um dia a gente divergir, ela está certo, eu estou errado e acabou a divergência", brincou.

Mais cedo, em Canoas (RS), Lula já havia dito que não se anima em um dia retornar à Presidência da República. Ao falar sobre economia durante um fórum, afirmou que Dilma "jamais vai permitir a volta da inflação".

Na capital paranaense, o ex-presidente disse que conhece todos os grandes presidentes dos principais países do mundo e sustentou que Dilma é mais competente do que qualquer um deles. "Posso dizer olhando pra vocês como se estivesse olhado pros meus filhos. Nenhum deles tem a competência da companheira Dilma Rousseff." / COLABOROU ELDER OGLIARI

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