Vencedor de Oscar faz vídeo em prol de índios

Em campanha da ONG inglesa Survivor, Colin Firth desafia ministro da Justiça brasileiro a ajudar os awá-guajá, povo 'mais ameaçado do planeta'

ROLDÃO ARRUDA, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h09

A ONG International Survival lançou ontem pela internet uma nova campanha em defesa do grupo indígena awá guajá, do Maranhão. Um de seus porta-vozes é o ator inglês Colin Firth, vencedor do Oscar de 2011 pelo desempenho no filme O Discurso do Rei.

Ao final de um documentário de quase cinco minutos sobre a vida dos índios e as ameaças que enfrentam, Firth faz um apelo aos simpatizantes da causa indígena. Pede que enviem mensagens ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, exigindo urgência na adoção de medidas de defesa dos awá-guajá, "antes que ocorram novas tragédias".

Cardozo tem poder para evitar as constantes invasões da terra indígena por madeireiros e pecuaristas, segundo o texto apresentado pelo ator. "Um homem tem o poder para parar os madeireiros: o ministro da Justiça do Brasil", diz ele, que sugere: "Bastaria apenas enviar contingentes da Polícia Federal para a região".

No vídeo, o ator questiona por que isso ainda não foi feito, considerando que os awá guajá constituem hoje o povo indígena mais ameaçado do Planeta, na avaliação da ONG. "É porque o ministro não dá atenção devida ao problema. Não é a prioridade dele. Vamos mudar isso", conclama Firth, com voz pausada e ligeiramente emocionada.

A Survival, sediada em Londres, acompanha povos indígenas em situação de risco pelo mundo. Na Amazônia preocupa-se particularmente com o caso dos índios isolados - que vivem na floresta, sem contato com grupos sociais não indígenas.

Os awá-guajá, segundo estimativas dos especialistas que trabalham para a ONG inglesa, estão reduzidos a uma população de aproximadamente 360 pessoas. Uma parte desse grupo, em torno de cem índios, vive isolado. Suas terras estão demarcadas. Mas eles enfrentam constantes invasões. De acordo a ONG, um terço das florestas de seu território já teria sido destruído.

A proteção dos awá guajá do Maranhão é um dos muitos problemas a serem enfrentados pela nova presidente da Funai, a antropóloga Marta Maria do Amaral Azevedo. Ela tomou posse esta semana, no lugar de Márcio Meira, e deve conceder sua primeira entrevista hoje à tarde, em Brasília.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.