'Vejo uma geração atenta à defesa da democracia'

A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, vê na rápida multiplicação das comissões da verdade o surgimento de uma nova geração atenta à defesa da democracia. Na entrevista abaixo, ela também rebate as críticas de que teria interesses eleitorais no processo que investiga as causas da morte do ex-presidente João Goulart.

Entrevista com

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2013 | 02h02

Como vê o trabalho das comissões da verdade que se espalharam pelo País?

Estou bastante otimista com o movimento deflagrado a partir das comissões. Vejo por toda parte uma nova geração atenta à defesa da democracia. Não podemos esquecer que até recentemente, quando ainda não tínhamos instituído a Comissão Nacional da Verdade, essa causa estava praticamente restrita aos familiares das vítimas. Esse movimento está dando frutos com valores democráticos.

A senhora é criticada pela sua participação no processo de exumação do corpo do ex-presidente João Goulart. Afirma-se que teria interesse eleitoral.

Não faz sentido. O fato é que o Estado brasileiro está cumprindo sua responsabilidade. Nem mais nem menos. Recebi em 2011 um primeiro pedido para a exumação. Nestes dois anos, analisamos os dados, as informações novas, os procedimentos necessários. Conseguimos estabelecer a convicção de que o ex-presidente foi monitorado, vigiado e perseguido no exílio. Ele estava na área que podemos chamar de centro da Operação Condor, o que corrobora as suspeitas da família e nos motiva. Trata-se do pedido de uma família, de uma causa humanitária. É bom ressaltar também que é um procedimento da Comissão da Verdade, com a participação do Ministério Público Federal. Tudo está sendo feito de maneira cuidadosa, de acordo com padrões internacionais da Cruz Vermelha. Há um grupo de trabalho cuidando disso há um ano.

Outras famílias podem ser atendidas em casos assim?

Esta é a terceira exumação deste ano. Vamos atender aos pedidos de todas as famílias.

Como avalia a decisão da presidente Dilma Rousseff de receber os restos mortais de Goulart com honras de chefe de Estado?

Ela está certa. Não vamos esquecer que a declaração de vacância de cargo de Goulart foi uma mentira, porque ele ainda estava no Brasil; que se elegeu vice-presidente com mais votos do que o presidente; e que até hoje nunca teve as honras de Estado que merece.

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