Thiago Santaella/Estadão
Thiago Santaella/Estadão

Em Santa Catarina, Gelson Merísio (PSD) e Comandante Moisés (PSL) vão ao 2º turno

Gelson Merísio (PSD), 31,12% e Comandante Moisés (PSL), 29,72% estão no segundo turno

Aline Torres, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2018 | 18h10

FLORIANÓPOLIS - Surpreendendo todas as pesquisas, Comandante Moisés (PSL), ligado ao correligionário Jair Bolsonaro, vai para disputa no segundo turno com Gelson Merísio (PSD), que também divulgou apoio a Bolsonaro. Com 100% das urnas do Estado apuradas, Merísio obteve 31,12% e Moisés com 29,72%.

O primeiro turno foi marcado por uma forte disputa entre o Merisio, Mariani e Décio Lima, líderes nas pesquisas. Merisio entrou na Justiça com pedido de 18 inserções comerciais durante as propagandas de Mariani, foi autorizado pela Justiça Eleitoral Catarinense que considerou como calúnia o conteúdo do oponente. Mas o Tribunal Superior Eleitoral revogou o direito de resposta por decisão do ministro Luiz Roberto Barroso.

Outra polêmica foi quando Merisio informou publicamente apoio a Bolsonaro, no dia 27 de setembro. O Podemos chegou a anunciar que se desligaria da coligação “Aqui é Trabalho”, o que não foi feito. Merisio é candidato a governador com mais 14 partidos (PSD/ PP/ PSB/ DEM/ PRB/ PDT/ SD/ PSC/ PROS/ PCdoB/ PV/ PHS/ Podemos/ PRP/ PPL).

Catarinense do Oeste, ele é o deputado mais votado da história do Estado e três vezes presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

Já o Comandante Moisés, 51 anos, se filiou pela primeira vez a um partido em abril deste ano e fez sua carreira no Corpo de Bombeiros de Tubarão, onde em 18 anos de serviço passou de comandante a tenente-coronel e corregedor-adjunto. 

Moisés é natural de Florianópolis, mas fez sua carreira no Corpo de Bombeiros de Tubarão (a 138 km da capital), onde em 18 anos de serviço passou de comandante a tenente-coronel e corregedor-adjunto. Na reserva, se mudou de volta à capital há sete meses e a convite de Lucas Esmeraldino, presidente estadual da sigla e candidato ao Senado, se tornou tesoureiro da sigla.

Como Bolsonaro, Moisés não tinha uma plataforma política estruturada. Disse durante a campanha que "se planos resolvessem, o Brasil seria a Europa". Suas propostas são desinchar a máquina pública, reduzindo as secretarias de Santa Catarina à metade e atuar nas áreas de vulnerabilidade social e no sistema prisional com propostas educativas.

Também argumenta que seus pensamentos em relação ao cárcere ou à sociedade não são diferentes dos de Bolsonaro. "Eu não acredito que ele foi a favor dos mortos no Carandiru ou siga a linha 'bandido bom é bandido morto', a imprensa descontextualiza a imagem dele e constrói outra equivocada".

Senado

Com 100% das urnas apuradas, os candidatos Esperidião Amin (PP), com 18,77% e Jorginho Mello (PR), com 18,07% foram eleitos para o Senado. Eles terão oito anos de mandato a partir do ano que vem. Os dois têm perfil conservador.

Em uma disputa apertada, os dois eleitos deixaram para trás os candidatos Lucas Esmeraldinho (PSL) 17,79%, Raimundo Colombo (PSD) 15,30%; Paulo Bauer (PSDB) 12,28%; Ideli Salvatti (PT) 5,15%; Lédio Rosa (PT) 5,01%; Roberto Salum (PMN) 3,78%; Miriam Prochnow (Rede) 1,89%; Professor Pedro Cabral (PSOL) 0,97%; Professor Antonio (PSOL) 0,78%; Diego Mezzogiorno (Rede) 0,59%; Ricardo Lautert (PSTU) 0,21%; e Andréa Luciano Carvalho (PCO) 0,00%.

Esperidião Amin (PP) iniciou sua carreira como membro integrante da ditadura militar no Brasil, que o indicou para exercer, sem eleições, o cargo de prefeito de Florianópolis. Ele fazia parte da ARENA, o partido oficial do governo militar, posteriormente renomeado PDS e, desde 1993, chamado PP.

Ele é graduado em administração ESAG (Escola Superior de Administração e Gerência) e direito pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Sua esposa Ângela Amin e seu filho João Amin são políticos. Esperidião foi duas vezes governador de Santa Catarina, prefeito de Florianópolis, senador e presidente nacional do PP. Foi reeleito e 2014 como deputado federal.

Jorginho Mello (PR) foi deputado estadual quatro vezes, deputado federal em 2011, reeleito em 2014. Ele é catarinense de Ibicaré, criado em Herval d’Oeste. Aos 18 anos, foi vereador e, aos 19, o mais jovem presidente da Câmara do Brasil. É graduado em Direito e em Estudos Sociais.

Com 7.001.161 de habitantes, segundo o Censo de 2017, Santa Catarina ocupa a sexta posição do ranking da economia nacional. Se destaca pelo agronegócio, responsável por 29% do PIB, pelo importante parque industrial (28,7% ), turismo (12,4%) e tecnologia (5%).

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