Veja a cronologia da briga entre Alckmin e Kassab

Ataques entre candidatos do PSDB e do DEM seguem em alta temperatura no rádio e na TV

da Redação,

23 de setembro de 2008 | 20h46

A ação do governador José Serra (PSDB) na semana passada para tentar estancar a crise no PSDB e salvar a aliança com o DEM para o segundo turno da eleição em São Paulo surtiu efeito zero até agora. No rádio e na TV, os ataques entre o tucano Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) prosseguiram em alta temperatura, na contramão do que pregam os principais líderes das duas siglas.   Nesta terça-feira, 23, em sabatina do jornal Folha de S. Paulo, Alckmin chamou o prefeito de "dissimulado" e o acusou de cooptar tucanos para sua campanha. Kassab atribui ataques a nervosismo de tucano por causa da queda nas pesquisas. Em outro momento, Alckmin disse ainda que "Kassab só chegou à Prefeitura porque o PSDB ganhou as eleições".   Leia abaixo a cronologia da briga dos dois:   Junho   O PSDB apareceu divido nas eleições municipais deste ano. De um lado os que apoiavam a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin, e de outro os que defendiam a manutenção da aliança com o DEM, tendo o prefeito Gilberto Kassab como cabeça de chapa. Kassab chegou à Prefeitura após a saída de José Serra, que se elegeu governador de São Paulo.   A aliança com o PFL, hoje DEM, e o PSDB é histórica. A parceria teve início na primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, e foi decisiva para o processo de crescimento e consolidação do PSDB. Em São Paulo, essa aliança garantiu a eleição de Mário Covas, e depois a de Geraldo Alckmin, ao governo do Estado; e a de José Serra, e depois a de Gilberto Kassab, à Prefeitura, e a de Serra para o governo do Estado.   Após quase seis meses de guerra, em junho, PSDB declarou o divórcio do DEM e apresentou a candidatura de Geraldo Alckmin. Kassab, por usa vez, saiu candidato à reeleição pelo DEM. A indicação só foi possível após a intervenção do governador José Serra, que com a articulação teria saído fortalecido para as eleições presidenciais de 2010.   Agosto   Desde a cisão, a tática de Alckmin diante de Kassab oscilou. A princípio, o tucano adotou um tom "paz e amor". Depois, chegou a "cutucar" o prefeito no horário eleitoral, citando falta de creches. A ação gerou críticas de tucanos ligados a José Serra, para quem ataques poderiam atingir o governador. Houve "recuo". Mais adiante, Alckmin "alfinetou" Kassab por problemas na segurança de parques e unidades de saúde municipais.   Setembro   Alckmin troca o marqueteiro e parte para o ataque na campanha. Sai Lucas Pacheco, que deixou a campanha reclamando que serristas bloqueavam críticas a Kassab, entra Raul Cruz Lima. No dia 11, Alckmin foi ao debate da Band e evitou o prefeito do DEM, mas foi criticado por Kassab no final do programa. Dali em diante, passou a atacar nominalmente o rival.   12/09/2008 - Três dias depois de trocar o marqueteiro de sua campanha, Alckmin, fez, pela primeira vez no horário eleitoral gratuito, um ataque direto e nominal a Kassab e mantém críticas a Marta.   14/09/2008 - A três semanas da eleição e com a ida para o segundo turno ameaçada pelo crescimento de Kassab nas últimas pesquisas, Alckmin põe no ar uma inserção que menciona "pontos fracos" dos adversários. Com uniforme de piloto de avião, um ator pergunta ao telespectador se ele prefere ver a cidade nas mãos de alguém que grita com o passageiro (mostra uma foto de Kassab), de alguém que manda você relaxar em um momento difícil (exibe imagem de Marta) ou de um "comandante sério", referindo-se a Alckmin. A inserção faz menção indireta a dois episódios protagonizados pela petista e pelo prefeito.   15/09/2008 - Alckmin bateu firme em Kassab, citando diretamente o prefeito por quatro vezes em 4 minutos e 27 segundos, seu tempo de TV. No vídeo, Alckmin classificou de "imperdoável" o número de 158 mil crianças de 0 a 5 anos fora de creches e escolas, por causa de falta de vagas, e afirmou que "nem de longe" Kassab deu continuidade às metas do ex-prefeito José Serra. "Enquanto a propaganda dele (Kassab) fala uma coisa, os números mostram outra", cutucou.   16/09/2008 - Seguindo à risca a nova estratégia da campanha de atacar Kassab, Alckmin subiu ainda mais o tom das críticas ontem e classificou de oportunista a tentativa do adversário de colar sua imagem no PSDB e no governador José Serra (PSDB).   17/09/2008 - A estratégia do candidato tucano à Prefeitura mobilizou as cúpulas do PSDB e do DEM, além de deixar irritado o governador tucano José Serra. O temor é de que uma radicalização de Alckmin ponha em risco não apenas a aliança dos dois partidos em um eventual segundo turno com Marta Suplicy (PT), mas também provoque feridas para 2010.   18/09/2008 - A ordem no quartel-general é continuar a "bater" em Kassab para continuar na briga para ir ao segundo turno da eleição. Campanha alckmista coloca na TV uma nova propaganda que explora o passado político de Kassab e suas alianças com Paulo Maluf e o ex-prefeito Celso Pitta. A peça promete estremecer ainda mais o clima entre PSDB e DEM.   A campanha de Kassab ameaça um revide. Kassabistas recuperaram uma gravação da eleição de 2004, quando Serra disputou com Marta Suplicy a prefeitura paulistana, em que Alckmin faz elogios à aliança entre DEM e PSDB e nominalmente a Kassab, então vice de Serra. O material não tem data para ser colocado nos programas eleitorais, mas está pronto para ser usado caso o PSDB insista nos ataques a Kassab.   19/09/2008 - Escalada de ataques alcança seu ponto mais alto: Depois de passar a semana   explorando as alianças feitas por Kassab no passado com os ex-prefeitos Paulo Maluf e Celso Pitta, Alckmin acusou o adversário de ter dado um "golpe" para ser o vice do governador José Serra (PSDB) na eleição de 2004. "O Serra quase desistiu de ser candidato", afirmou Alckmin, ao referir-se ao episódio em que Kassab foi lançado candidato a vice na chapa tucana à prefeitura.   O governador José Serra reagiu duramente às acusações de Alckmin e pela primeira vez na campanha avalizou publicamente a gestão de Kassab à frente da prefeitura, além de manifestar uma reprimenda ao tucano. "Gilberto Kassab foi um vice-prefeito leal e solidário", afirmou Serra, numa reprovação implícita às críticas desfechadas por Alckmin.   A coordenação de campanha do DEM considera declarações a "gota d’água". A estratégia, num primeiro momento, é deixar o prefeito longe da trincheira e escalar terceiros para responder aos alckmistas.   22/09/2008 - Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o tucano Clóvis Carvalho, secretário municipal de Governo, acusou Alckmin de "oportunismo" e "falta de decoro", em razão do acirramento das críticas a Gilberto Kassab. Carvalho faz parte do grupo de tucanos que apóia Kassab.   23/09/2008 - Em sabatina do jornal Folha de S. Paulo, Alckmin chamou o prefeito de "dissimulado" e o acusou de cooptar tucanos para sua campanha. Kassab atribui ataques a nervosismo de tucano por causa da queda nas pesquisas. Em outro momento, Alckmin disse ainda que "Kassab só chegou à Prefeitura porque o PSDB ganhou as eleições". 

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