Vê-se muito, mas pouco se sabe dos presos de Guantánamo

Depoimento: Iuri Dantas

O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 03h06

Duas diferentes equipes trabalham em alerta máximo na base militar de Guantánamo, tornando o calor ainda mais sufocante para centenas de presos desde 2003, sem julgamento: os soldados do batalhão de choque, que em grupos de quatro imobilizam os detentos das celas individuais, e os médicos, responsáveis por técnicas de reanimação dos que, por greve de fome ou outro motivo, têm paradas cardíacas ou respiratórias.

Os primeiros homens levados clandestinamente a Guantánamo chegaram quatro meses após o 11 de Setembro. Estavam ali por supostamente deterem inteligência capaz de evitar novos ataques. Não se pode dizer que eram subversivos, antiamericanos, culpados ou inocentes, pois não foram julgados. Ocupavam o Campo Raio X, onde passavam o dia sob o sol, em celas de arame, e respondiam a interrogatórios intermináveis, submetidos a técnicas consideradas tortura, como afogamento simulado. O campo foi fechado poucos meses depois.

Os detentos vivem hoje no chamado Campo Delta, subdividido em cinco unidades. Na primeira, os presos estão em celas individuais, separadas por grades. É possível ver tudo o que se passa dentro. Eles têm direito a dez minutos de banho de sol, três vezes por semana. No campo 4, para os de melhor comportamento, há quadras esportivas e os presos podem conviver durante todo o dia. O 5, o mais rigoroso, parece prisão futurística: vidros escuros, paredes brancas, portas de metal. A cela é pequena e não permite ver o céu ou o guarda do lado de fora.

Ao visitar o local, em 2006, ouvi da comandante Catie Hanft que alguns detentos preferiam viver em Guantánamo, pois teriam condições melhores do que em seus países. Difícil comprovar: não é possível entrevistar presos nem saber com exatidão quantos morreram por greve de fome.

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