'Vão colocar muito recurso aqui, mas o povo não é bobo'

Depois de ser eleito com a ajuda do PT em 2008, Marcio Lacerda critica postura dos antigos aliados municipais

Entrevista com

MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2012 | 03h08

Após mais de três anos de convivência, o prefeito Marcio Lacerda (PSB), de Belo Horizonte, tenta se reeleger em confronto com o PT, de quem guarda mágoa. Para ele, sabotagens do vice Roberto Carvalho e "contradições" dos ex-aliados minaram a aliança. Lacerda, que tem apoio do tucano Aécio Neves, admite que interesses de 2014 influenciam a atual eleição, mas atribui a nacionalização ao PT. "Vão colocar muito recurso (do governo federal) na campanha."

Como foi a tentativa de reedição da aliança entre PT e PSDB?

Em maio de 2011, procurei Aécio e disse: "Vamos trabalhar pela reedição?" Ele falou: "Acho viável". Em julho, perguntei se aceitava o PT como vice e ele disse sim. Não tive negociação prévia com o PT. Em agosto, fizemos uma reunião com Eduardo Campos, (Antonio) Anastasia, Aécio, eu e Walfrido (dos Mares Guia). O PSB nacional deu ok, com o PT de vice. E aquilo foi um choque grande no PT. Meu vice estava num trabalho forte de oposição.

O PT não queria a aliança?

O PT apostou no meu desgaste, na incapacidade de disputar a reeleição. Todo o PT dizia que o Roberto Carvalho não tinha condição de ser prefeito. Mas deram a ele o poder. São essas contradições que criam confusão. É uma democracia interna autodestrutiva, prejudica o partido, que sempre admirei. O (ex-deputado) Virgílio Guimarães diz que não sou filiado ao PT porque nunca fui convidado. De fato, nunca me convidaram.

O sr.ria?

Não sei. Eu não gostava do governo Fernando Henrique, criticava a política econômica. Mas não gostava do radicalismo de setores do PT. Por isso me juntei ao Ciro Gomes desde 1998.

Qual a participação do Lula?

O Lula veio em 2011, tirou foto comigo e disse: "O Marcio é o nosso candidato". O PT local não me queria. Apareceu a exigência pela proporcional quando estávamos avançados com o PSDB. E de forma agressiva. Faca no peito, colocada pelo Rui Falcão e tudo o mais. Pedi ao Walfrido para pôr o Lula nisso. O Rui lavou as mãos. O Walfrido trabalhou pela coligação com o PT.

O PT tinha disposição de lnçar o sr. ao governo em 2014?

Tinha dois movimentos em ambos os lados. E me colocaram numa situação difícil, porque eu sempre disse que não vou, em 2014, me posicionar contra Aécio nem contra Pimentel.

Pimentel está em outro lado.

Tudo tem ganhos e perdas. A maior perda nesse processo é o Pimentel magoado comigo. Mas por quê? Eu não rompi com ele nem com o PT. O PT que rompeu comigo.

O sr. ficou surpreso com o engajamento de Dilma em BH?

A partir do momento em que houve o rompimento e o PT falou que eu traí, essa informação certamente chegou a ela de um jeito que não era verdade. O Pimentel deve ter falado: "O Marcio deixou a gente na mão".

Espera alguma retaliação?

Espero a assinatura de um convênio para o metrô. Já está atrasado. Se demorar mais (risos), vou achar que tem problema. Mas acho que não é o caso. O metrô é uma promessa da presidente para a cidade dela. Vão colocar muito recurso na campanha. Mas o povo não é bobo.

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