Vantagens e riscos de remar contra a corrente

O governador e presidenciável Eduardo Campos decidiu adotar a estratégia de remar contra a corrente. É a única maneira de ele se transformar, de fato, em alternativa eleitoral viável. A outra, representada pelo PSDB, parece tão dócil em relação ao governo que muita gente não identifica nela, nem ainda em Aécio Neves uma clara alternativa de oposição.

ANÁLISE: José Álvaro Moisés, professor de ciência política da USP, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2014 | 02h05

Campos busca ocupar um espaço relativamente vazio, quase frouxo. Daí a estratégia mais dura, de dar nome a quem lhe parece ser a principal responsável pela crise que assola o País, ou seja, Dilma Rousseff. Quer transformar essa nova posição no capital político capaz de mudar os rumos do país.

Isso tem um lado claramente positivo, pois a política é inovação, inventividade. Candidatos que se dizem de oposição mas mantêm sempre o mesmo tom passam a impressão de que nada é para mudar de fato. Campos, ao contrário, quer sinalizar em outra direção.

Corre alguns riscos, claro. Primeiro o de disputar espaço com Aécio. Mas os dois enfrentam o desafio de se qualificar como alternativa capaz de levar o País ao segundo turno. Se não o fizerem, Dilma ganha no primeiro, por inércia e por usufruir dos enormes benefícios de estar no poder.

Poderá ainda desagradar a Lula, de quem é próximo, mas Campos só vai brigar com ele se o ex-presidente aguçar o conflito. O tempo todo elogia o ex-presidente e seu governo, sugerindo que apenas os últimos quatro anos quebraram as virtudes do passado recente.

Vista à distancia, não é Campos que está comprando a briga, pois foi o PT que, tempos atrás, iniciou a agressão, retirando-lhe espaço e falando em oportunismo. Lula não veio a público desmentir os ataques e Campos, agora, dá a resposta que entende adequada. Se isso vai transformá-lo em uma alternativa solida e consistente, é difícil dizer. Mas o novo rumo de sua política é ousado e inovador.

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