'Vamos trabalhar a quatro mãos', diz prefeito sobre futura gestão

Um dia após a eleição, Kassab elogia Haddad, diz que vai colaborar com sucessor e oferece apoio dos vereadores do PSD

ARTUR RODRIGUES E ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2012 | 02h05

Após classificar Fernando Haddad (PT) como um "péssimo" ministro para São Paulo durante a campanha de apoio a José Serra (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab (PSD) mudou de tom e prometeu ontem apoiar e fazer uma transição afinada. "Vamos trabalhar a quatro mãos, eu e o prefeito eleito Haddad", disse. "Tudo o que vier demandado por ele será por nós encaminhado, porque afinal de contas ele tem legitimidade", completou.

Kassab negou que tivesse feito críticas diretas a Haddad, mas sim sobre questões relacionadas à gestão petista. "Todos conhecem a minha relação com Fernando Haddad. É a melhor possível, todos sabem que sempre o considerei capacitado para ser prefeito de São Paulo", disse. E continuou os elogios: "Tem uma boa formação, é inteligente, é sério, é integro". Ressaltou, porém, que considerava Serra o "mais bem preparado e possuidor da melhor biografia".

Os secretários de governo, Nelson Herzey, e de Planejamento, Rubens Chammas, farão a transição. O processo, segundo, Kassab, não vai incluir a exigência de cargos na futura gestão. "Se ele quiser convidar quadros do partido, acho que não terá nenhum problema, mas o partido não tem por que oferecer, pedir. Vamos contribuir independente de qualquer coisa." O prefeito promete deixar cerca de R$ 5,5 bilhões em caixa - a maior parte já está comprometida em obras.

Câmara. O prefeito deu sinal verde ontem para que os vereadores de seu partido formem a base do petista na Câmara. São sete parlamentares que, na teoria, podem definir a votação de projetos relevantes, como a aprovação de novas regras de zoneamento. Kassab disse que já conversou com os parlamentares a respeito. "Eu percebi claramente uma disposição deles de ter uma posição igual à nossa, que é de contribuir, de apoiar, de fazer com que a cidade possa ter na gestão do Haddad bons resultados", disse.

O aval de Kassab é crucial para dar ao petista maioria na Câmara. A coligação de Haddad (PT, PSB, PP e PC do B) elegeu 15 vereadores. O prefeito eleito já conta com os 4 vereadores do PMDB, sigla que o apoiou no 2.º turno e é da base do governo Dilma Rousseff, e 2 do PRB, que tem um ministro em Brasília. Com os 7 vereadores do PSD, somaria 28 vereadores, maioria simples.

A divisão oficial das bancadas, porém, só deve tomar corpo definitivo em dezembro, quando será eleito o presidente da Casa em 2013. Até lá, três partidos definirão se aderem à futura administração de forma direta ou reativam o antigo centrão, bloco apartidário que durante seis anos foi o fiel da balança nas votações pró e contra o governo. São eles PV, DEM e PTB.

A lista informal de pré-candidatos ao comando da Casa tem alguns nomes, como Roberto Tripoli (PV), Arselino Tatto (PT) e o atual presidente, José Police Neto (PSD). Nos próximos dias, reuniões internas vão delinear a estratégia dos partidos, que juntos reúnem mais dez parlamentares. O PHS também deve ser chamado a compor pela base aliada de Haddad.

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