'Vamos derrubar o muro que separa cidade rica e pobre'

Em discurso após vitória, Haddad prega 'união de forças acima de interesses individuais e partidários' e ressalta apoio de Lula e Dilma

O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2012 | 03h08

No primeiro pronunciamento como prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) pregou ontem a união das forças políticas da cidade e afirmou que fará um trabalho acima de interesses "individuais e partidários". Em tom emocionado, Haddad disse que pretende acabar com o "muro da vergonha" que separa a cidade rica da pobre.

"É a hora de unir e atrair as forças vivas para um trabalho acima de interesses individuais e partidários", afirmou o petista, no discurso de vitória em um hotel no centro de São Paulo, para cerca de 300 militantes do PT, além de sete ministros do governo da presidente Dilma Rousseff. A cerimônia teve ares de superprodução, com balões brancos e vermelhos no auditório.

"Meu objetivo central, que está plenamente delineado, discutido e aprovado pela maioria do povo de São Paulo, é diminuir a grande desigualdade existente na nossa cidade, é derrubar o muro da vergonha que separa a cidade rica da cidade pobre", afirmou o prefeito eleito.

Para Haddad, São Paulo tem de voltar a ser "farol e antena". "Farol para iluminar seus passos e os passos do Brasil. Antena para captar o que existe de mais moderno e para transmitir o que tem de mais diferenciado para o nosso País e para o mundo."

Apesar de ter feito um discurso em que pregou a união, o petista não citou o nome do adversário José Serra (PSDB) nem do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que apoiou o tucano. Fez ainda críticas indiretas a Kassab pelo fato de o prefeito ter se inibido no papel de desenhar políticas urbanas de desenvolvimento.

Haddad não havia recebido um telefonema do tucano para parabenizá-lo pela vitória até o momento em que começou a fazer o seu discurso, às 20h.

Haddad, que foi eleito com 55,57% dos votos - 3,3 milhões de eleitores -, agradeceu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não estava presente na comemoração, e a Dilma. Destacou as parcerias que pretende fazer com o governo federal e com a iniciativa privada. Disse ainda que São Paulo "não é uma ilha política tampouco uma cidade de muralhas".

Durante a campanha, Haddad foi acusado de querer promover uma gestão "estatizante", principalmente na área de saúde. O programa de governo não é claro em relação às parcerias com as organizações sociais, que administram hospitais e estabelecimentos de saúde.

Parcerias. "Sei que contarei com o apoio decisivo do governo da presidenta Dilma, mas potencializarei esse apoio apresentando propostas e projetos criativos e irrecusáveis", disse. "São Paulo precisa firmar parcerias vigorosas na esfera pública com o governo federal e com o governo estadual e na esfera privada com o que existe de mais avançado em pensamento e em tecnologia no mundo."

O petista afirmou que pretende atrair a intelectualidade. "O primeiro passo que quero dar a partir de hoje é fazer com que a Prefeitura recupere o seu papel de liderar as forças criativas e sociais da cidade. Nossa intelectualidade nunca perdeu sua capacidade de pensar, mas a Prefeitura, por vezes, perdeu o interesse de atraí-la para um trabalho parceiro", disse o prefeito eleito, professor licenciado da USP.

Em um salão enfeitado com balões vermelhos e brancos, militantes do PT vestiam camisetas com os dizeres: "O futuro venceu. São Paulo optou pelo novo".

O pronunciamento de Haddad, transmitido ao vivo por emissoras de TV, foi acompanhado por militantes petistas que celebrava a vitória no Bar Brahma, no centro. Parte do grupo, no entanto, reclamou do "tom catedrático, professoral" do prefeito eleito. A festa prosseguiu com cerca de 300 petistas, quase todos vestidos de vermelho, ao som de samba. / BRUNO LUPION, FERNANDO GALLO, JULIA DUAILIBI, VERA ROSA e WILSON BALDINI

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