'Vagabundo não me derrotará', diz Lula

Ex-presidente afirma que seu 'sucesso é o que mais machuca adversários' e que quem quiser superá-lo terá de trabalhar mais que ele

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h07

Após virem à tona as acusações do empresário Marcos Valério de que dinheiro do mensalão foi usado para pagar "gastos pessoais" seus, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o que "mais machuca" seus adversários é o "sucesso" dele e disse que não será derrotado por nenhum "vagabundo em uma sala com ar condicionado". Lula pediu ainda que a militância que o defende "não se preocupe com os ataques" que ele vem sofrendo.

Lula não comentou as acusações nem abordou o tema do mensalão, mas fez sua fala mais reativa desde o dia 11, quando o Estado revelou o teor do depoimento de Valério à Procuradoria-Geral da República no qual sustentou que pagou R$ 98,5 mil para "gastos pessoais do presidente". Há uma semana, Lula afirmou se tratar de "mentira", mas nada mais disse.

Ontem, contudo, veio à carga. "O que mais machuca os meus adversários é o meu sucesso", afirmou durante a posse do novo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques. "A gente aqui no sindicato, quando queria falar mal do patrão, falava mal da Volkswagen, da Mercedes e da Ford? Porque eram as três maiores. Ninguém ia falar de fabriquinha".

O ex-presidente também disse existir apenas "uma possibilidade de eles me derrotarem". "É trabalhar mais que eu. Mas se ficar um vagabundo numa sala com ar condicionado falando mal de mim, vai perder."

Lula indicou entender que os "ataques" contra ele têm motivação eleitoral. "Não se preocupem com os ataques. Há uma razão para isso. Em 2010, quando apresentamos a Dilma, a Dilma era um poste. Vencemos. Agora quando apresentamos o Fernando Haddad, era outro poste. Vencemos. E de poste em poste a gente está iluminando o Brasil."

O ex-presidente afirmou que em 2013 voltará a viajar o País fazendo política. "Ano que vem voltarei, para a alegria de muitos e tristeza de poucos, a andar por esse País. Vou voltar a andar pelo Brasil porque acho que ainda temos muita coisa para fazer. Temos que ajudar a presidente Dilma a governar e conseguir outros Estados e prefeituras."

Judiciário. As críticas que Lula deixou de fazer ao julgamento do mensalão foram proferidas por sindicalistas e dirigentes de movimentos sociais. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, fustigou ministros do Supremo Tribunal Federal.

"O que se está querendo construir é um golpe, com meia dúzia de pessoas do Poder Judiciário querendo mudar a realidade em um poder em que o povo não está representado", disse. "A elite percebeu que não consegue ganhar as eleições, então resolveu mudar as regras do jogo. Vai jogar no tapetão, no Poder Judiciário. Não vamos concordar com isso." Ele afirmou que a central irá às ruas caso "queiram colocar a democracia em jogo".

Integrante da coordenação nacional do Movimento dos Sem Terra (MST), Gilmar Mauro declarou que os movimentos sociais precisam estabelecer "uma pauta de luta" que trate do Judiciário, segundo ele "intocável nesse nosso País". "No Pontal do Paranapanema e em muitas regiões do Estado sofremos condenações pela tese do domínio do fato. Conseguimos derrubar no STJ muitas delas. Agora é o STF que garante isso. Basta que se diga que alguém tem o domínio do fato pra ser condenado."

O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu, declarou que no início de 2013 os movimentos sociais vão às ruas. "As lutas que o movimento social vai convocar em fevereiro, março do ano que vem, vão encher as ruas desse País. Vamos fazer avançar o nosso projeto e contribuir com a pressão das ruas."

Ele afirmou que as partidos e entidades de esquerda estão prontos para defender Lula e seu legado. "A UNE, ao lado das centrais, do MST, dos partidos de esquerda, topam toda e qualquer parada ombro a ombro para defender esse projeto que tem o Lula como figura central."

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