Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Uso de fake news nas eleições do Brasil é 'sem precedentes', diz chefe de missão da OEA

Laura Chinchilla afirmou que a disseminação das mentiras migrou das redes públicas como Facebook para uma rede de uso privado, o WhatsApp, o que torna mais difícil a investigação

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2018 | 13h54

A ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, chefe da missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Brasil, disse que o uso do WhatsApp para disseminação de notícias falsas na eleição brasileira é um caso “sem precedentes”. As declarações foram dadas após um encontro entra ela e o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, na manhã desta quinta-feira, 25, em São Paulo.

"O fenômeno que temos visto no Brasil talvez não tenha precedentes fundamentalmente por uma razão. No caso do Brasil estão usando redes privadas que é o WhatsApp. É uma rede que apresenta muitas complexidades para que as autoridaedes possam acessar e realizar investigações", disse Chinchilla.

Segundo ela, ao contrário de outras eleições marcadas pelas chamadas fake news, no caso brasileiro a disseminação das mentiras migrou das redes públicas como Facebook para uma rede de uso privado, o WhatsApp, o que torna mais difícil a investigação. 

De acordo com ela, a missão da OEA constatou que o fenômeno das fake news via WhatsApp já ocorreu no primeiro turno da eleição. Para a chefe da missão, o discurso de ódio e violência foi a marca da primeira rodada eleitoral devido ao ambiente político. 

"Este processo está sendo fortemente impactado por alguns fenômenos ligados ao clima político. Entre eles um discurso de incentivar a violência política. Por isso pedimos que seja enfatizado a utilização de um tom construtivo que venha a impedir manifestações de violência", disse ela.

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