Ungido candidato, Haddad faz oposição a Kassab e reforça elos com a União

O ministro da Educação, Fernando Haddad, foi lançado ontem pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo com um discurso crítico à gestão Gilberto Kassab (PSD). O petista deu o tom de como será sua campanha em 2012 ao falar da "aliança estratégica" com o governo federal e ao descartar coligação com o partido que administra a capital paulista.

JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2011 | 03h03

O anúncio feito ontem por Haddad e pela direção do PT enterrou as prévias no partido e, a oito meses das convenções, o coloca como o principal nome do polo oposicionista na disputa. Apesar das críticas à gestão Kassab, não está descartada aliança entre PSD e PT num eventual segundo turno, já que nacionalmente o governo federal busca acordos com a sigla do prefeito.

"O sentimento da militância do PT, expresso em congresso, é de mudança, e não de continuidade", disse Haddad, após reunião com os pré-candidatos que desistiram da disputa, os deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini, na sede do PT em São Paulo.

Haddad evitava adotar tom crítico em relação a Kassab, em razão da boa relação que o prefeito tem com o governo federal. Mas, nas negociações para evitar as prévias, petistas paulistanos pediram ao ministro que adotasse um discurso mais ácido.

O ministro falou em "retrocessos" em comparação com a gestão do PT, de Marta Suplicy (2001-2004). Mencionou programas "que não foram aprofundados como prometido" e citou os CEUs e o bilhete único.

"Vários programas importantes, várias iniciativas do governo federal não chegaram à cidade. Isso coloca São Paulo em descompasso com várias outras regiões do País que souberam aproveitar as oportunidades que o extraordinário momento político do Brasil oferece", declarou.

O ministro enalteceu a parceria com a União, que será a principal bandeira da sua campanha. Questionado se as denúncias envolvendo o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) poderiam prejudicar sua campanha, Haddad disse que elas vão "ajudar".

Bolsas. "Veja só a situação do paulistano antes do governo Lula. Tinha 10 mil vagas públicas à sua disposição apenas. Hoje o paulistano tem 300 mil bolsas em todo o Brasil", afirmou.

O nome de Haddad, de 48 anos, foi projetado no PT após costura com diversas alas do partido, comandada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista avalia que o ministro, uma novidade no cenário eleitoral, é um bom nome para vencer a resistência que setores da classe média têm ao partido.

Na semana passada, a articulação levou à desistência de Marta, que liderava pesquisas de intenção de voto. A partir de então, era dada como certa a saída de Tatto e Zarattini. Acuados pela operação Haddad, os dois abandonaram a prévia após negociarem espaço na bancada do PT na Câmara e na coordenação de campanha, que tem potencial para criar outra disputa interna.

"Dos 86 deputados do PT, só 14 são de São Paulo. Acha que o pessoal dá bola para problemas daqui?", disse Zarattini, ao negar negociação para cargos. A doença de Lula, que faz tratamento contra o câncer, foi citada como exemplo de unidade. "O presente que podemos dar é a vitória de Haddad", disse Tatto.

O PT agora mira no PMDB, que tem como pré-candidato o deputado Gabriel Chalita. Haddad elogiou ontem o parlamentar, mas fez uma ressalva: "Se for decisão dele e do PMDB a manutenção da candidatura, como me parece a tendência, ele vai ter todo o meu respeito".

Lula disse ontem que a chapa PT-PMDB tem potencial para constituir uma aliança forte. "O ex-presidente vê com bons olhos e tem visto essa possibilidade no horizonte", disse o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), que o visitou ontem. O ex-presidente quer convencer Chalita a desistir. Na avaliação dele, embora os perfis de Chalita e Haddad sejam parecidos, o deputado atrai eleitores católicos e das classes C, D e E. "O sonho de consumo do Lula é o Chalita", disse um amigo de Lula.

O PT trabalha com uma segunda opção: atrair PR, PDT ou PC do B, que hoje está na base de sustentação de Kassab. Além do vereador Netinho de Paula, com perfil popular, dirigentes do PT lembram da deputada estadual Lecy Brandão. Haddad disse ontem que a discussão sobre o vice-prefeito é "prematura". / COLABORARAM VERA ROSA e GUSTAVO URIBE

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