Uma outra dor de cabeça

Virou uma dor de cabeça para o governo a possibilidade de adiamento do julgamento do mensalão. Não pelo benefício aos réus e ao PT, claro, mas pela perspectiva de acabar no colo da presidente Dilma Rousseff um fator decisivo no caso: a nomeação de dois novos juízes, já que a prorrogação não permitiria mais a participação, no processo, dos ministros Carlos Ayres Britto e Cezar Peluso.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2012 | 03h05

Ambos completam a idade limite de 70 anos para a aposentadoria em 2012 - Peluso em agosto e Britto, que o substituirá na presidência da Corte a partir de abril, terá um mandato de apenas seis meses e luta para que o julgamento ocorra na sua gestão, admitindo até a ideia de realizá-lo no recesso de julho.

O adiamento, como defende o ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo, fará com que o julgamento ocorra sob o comando de Joaquim Barbosa, relator do caso e sucessor de Britto pela ordem sequencial de presidentes da Corte.

Barbosa acumularia as funções de presidente e relator, o pior dos mundos para o PT, que aumentará a pressão sob a presidente Dilma para que os substitutos de Britto e Peluso sejam favoráveis ao partido. Mesmo não atendida, por ilegítima, a pressão empurra a presidente para dentro do julgamento, impondo-lhe sequelas políticas qualquer que seja o desfecho.

Nesse contexto, restaria ao governo estimular a aprovação da chamada PEC da Bengala - a emenda que estende para os 75 anos a idade limite para a aposentadoria dos ministros, já aprovada no Senado, que manteria o quadro atual do STF. Teria a oposição do PT, cuja estratégia é levar o processo à prescrição.

No cravo e

na ferradura

A viagem de Aécio Neves nesta semana a Washington, atrás de um empréstimo do BID para Minas, reforça as especulações de que trabalha com um olho na Presidência, em 2014, e outro no governo mineiro. Pela tese, se Dilma Rousseff mantiver a alta popularidade de hoje, num cenário desfavorável ao PSDB, e sem sucessor confiável para o atual governador, Antonio Anastasia, ele adiaria os seus planos presidenciais para 2018.

Vitrine indiscreta

O presidente do Senado, José Sarney, telefonou para os deputados do PT Cândido Vaccarezza e João Paulo Cunha reclamando da indicação de seu desafeto maranhense Domingos Dutra (PT) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Sarney não gostou da vitrine que o PT garantiu, assim, ao seu adversário em ano eleitoral. Dutra agora dispõe de dois palanques para criticar ações dos Sarney no Maranhão - a tribuna e a comissão. E não pretende desperdiçá-las, segundo quem o conhece.

PP foi na onda

O PP também votou contra a indicação de Bernardo Figueiredo para a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Seu ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, é chamado de "rainha da Inglaterra" pelos próprios pares, por não conseguir nomear ninguém na própria pasta. Mesma insatisfação do PMDB, que para assumir Minas e Energia e Previdência, engoliu secretários executivos do PT.

Jogo de cena

Governo e PR continuam o teatro iniciado na demissão do ministro Alfredo Nascimento, dos Transportes. O primeiro convida o senador Blairo Maggi (MT) para o Ministério dos Transportes, sabendo que ele o recusaria pela 3ª vez. O segundo reunirá seus 36 deputados e 7 senadores, dia 20, teoricamente para decidir se fica na base aliada. O PR tem certeza de que o convite a Blairo foi um álibi premeditado do Planalto.

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