Uma imagem que põe ex-presidente e sua infalibilidade à prova

Análise: João Domingos

O Estado de S.Paulo

21 Junho 2012 | 03h07

A fotografia que registrou para a História a aliança entre Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado Paulo Maluf derrubou no PT o mito da infalibilidade quase papal do ex-presidente. Amigos de Lula que o acompanham desde os tempos de sindicato afirmam que o encontro com Maluf foi um desastre do qual um político com a experiência do ex-presidente não poderia ser protagonista.

Deu tudo errado, avaliam os petistas. Eles lembram que o encontro não ocorreu num local neutro, mas na casa de Paulo Maluf, e por exigência deste. O gesto pode significar, no raciocínio deles, uma submissão de Lula ao velho adversário que, em 1980, quando governador, mandou as forças do extinto Dops espancar petistas na Freguesia do Ó com pedaços de pau, facas, estiletes, golpes de caratê e bombas de gás lacrimogêneo.

No rastro da foto com Maluf, os petistas enumeram outras atitudes recentes de Lula que criaram problemas. Uma foi o encontro secreto com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, em Brasília. A divulgação do fato - no qual, segundo Mendes, Lula estaria preocupado com o julgamento do mensalão e teria pedido ajuda em troca de blindagem na CPI do Cachoeira - jogou por terra qualquer resquício de esperança entre os petistas que ainda achavam possível um adiamento do caso para depois da eleição.

A própria criação da CPI é dada como um erro de cálculo do ex-presidente que, após eleger a sucessora e deixar o governo com aprovação recorde, não tem encontrado interlocutores dispostos a questioná-lo.

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