Uma garantia relativa

Ao contrário do que possa sugerir a garantia da presidente Dilma Rousseff ao PMDB, não será pacífica a ocupação das presidências da Câmara e Senado pelo partido em 2013. Fragmentado, o PT não tem unidade para sustentar o aval do governo ao acordo, cuja aparente solidez se explica apenas pelo susto do partido com o ensaio de independência do PSB, imediatamente aproveitado pelo vice-presidente Michel Temer.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2012 | 03h07

Trocando em miúdos, os dois partidos reafirmaram o acordo de rodízio no comando da Câmara depois do rompimento do PSB com o PT em Belo Horizonte e Recife, dando visibilidade à autonomia que o governador Eduardo Campos (PE) se concedeu na parceria construída com o ex-presidente Lula.

Ao retirar o deputado Leonardo Quintão da disputa em Minas para aliar-se ao PT, o vice-presidente Michel Temer obteve da presidente Dilma a promessa de honrar o acordo no Congresso. O movimento interrompeu a intensa articulação de petistas em favor da candidatura dissidente do deputado Arlindo Chinaglia (SP), que investia numa aliança com PSB, PC do B e PDT, sob o olhar de paisagem do Planalto.

Na ocasião, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), já tentara Dilma com a tese de que o acordo não era conveniente ao governo e ao PT, estimulando o receio da presidente com o PMDB no comando das duas Casas do Legislativo.

A mais superficial incursão em território petista mostra, porém, que o partido vive como trégua o que o PMDB trata como caso encerrado. Nada indica renúncia à contestação do acordo - antes, é clara a intenção de reabrir a disputa.

Candidatos vulneráveis

O PT conta com a insistência do PMDB nas candidaturas do senador Renan Calheiros (AL) e do deputado Henrique Eduardo Alves (RN), para reabrir em momento mais oportuno a oposição ao acordo que dá as duas presidências ao rival. Com históricos vulneráveis, ambos abrem brecha à tese de que a garantia da presidente foi ao partido, ao qual cabe viabilizá-los, não havendo compromisso com eventual insucesso a que dê causa. Renan já teve de renunciar à presidência do Senado uma vez, e Alves protagonizou episódios polêmicos - o mais recente, um desvio de verbas do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) por afilhados políticos.

Em casa, vale

Os acordos no PT, o líder do partido, deputado Jilmar Tatto (SP), garante. O rival José Guimarães (CE), diz, será o próximo líder na Câmara. Tatto é aliado de Arlindo Chinaglia (SP) e Marco Maia (RS), que disputam com Candido Vaccarezza (SP) e Guimarães o comando da bancada.

Acordão?

A quebra de sigilo das contas da Delta nos bancos do Brasil e HSBC mostram que a empresa repassou, nos últimos dois anos, R$ 254,7 milhões a empresas fantasmas em São Paulo, Rio de Janeiro e na região Centro-Oeste, confirmando que o esquema investigado pela CPI não se concentra em Goiás e Brasília. A maior parte desse dinheiro - R$ 114 milhões -, foi para São Paulo. Para o Rio foram R$ 51 milhões e para o Centro-Oeste, R$ 91,5 milhões. Com esses números, a investigação só ficará restrita ao Centro-Oeste por conveniência geral. Da oposição, inclusive.

Jogo duro

A Anatel anuncia na próxima semana novas regras para as teles cumprirem até novembro. Vão desde investimentos em infraestrutura para a Copa até mudanças na cobrança de rediscagem por queda na ligação quando o cliente não der causa.

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