Uma disputa necessária

É improvável uma reversão de expectativas em relação à eleição para a presidência da Câmara, por força do compromisso de maioria com a candidatura do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), avalizada pelo Palácio do Planalto.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2013 | 02h02

Apesar disso, a hipótese de um segundo turno, com a qual trabalham os candidatos avulsos, não deve ser menosprezada.

A consolidação da candidatura do deputado Julio Delgado, do PSB mineiro, nas últimas semanas, com o apoio antes negado pelo seu partido, pode retirar da disputa o caráter de posse antecipada, nocivo por subtrair ao Legislativo a sua essência maior - o processo independente de escolha política.

O hoje ministro dos Esportes Aldo Rebelo (PC do B-SP), que já presidira a Casa em 2005, enfrentou em 2007 e 2009 dois acordos do gênero, perdendo seguidamente para os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Michel Temer (PMDB-SP). Nas duas ocasiões, derrotado antecipadamente, sustentava a necessidade da disputa como pilar do processo político.

É um discurso que sensibiliza boa parcela dos deputados. Quando nada, ameniza os efeitos imperiais de uma vitória acachapante imposta pelo apoio do Executivo.

A Júlio Delgado se junta a candidata dissidente no PMDB, Rose de Freitas (ES), atual vice-presidente da Câmara, que reza pela cartilha de Rebelo, da disputa mesmo em circunstâncias desfavoráveis. 

Rose e Delgado costuram eventual aliança para somar 200 votos e impedir que Alves obtenha os 257 que o elegeriam no primeiro turno. 

Com o bloco na rua - Com aval do governador Eduardo Campos, com quem almoça na próxima semana no Recife, o deputado Julio Delgado (PSB-MG) vai pôr a candidatura na rua: nos próximos dias vai a Belo Horizonte, Manaus, Belém, Curitiba e Recife para encontros com bancadas estaduais. Ele corre atrás da meta de 150 votos, número de parlamentares que reuniu no seu último aniversário, em festa que testou suas possibilidades. Boa parcela era de petistas, que guardam na memória ainda o relatório de sua autoria que serviu de base à cassação de José Dirceu. O candidato espera sair do almoço com Campos com o aval público do governador.

Apoio do vice - Já o vice-presidente Michel Temer fortalece a campanha de Henrique Alves (PMDB-RN) em jantar do correligionário com a bancada paulista programado para a próxima quinta-feira (17). E o deputado Edinho Araújo (PMDB-SP) tenta agendar Alves com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) no Palácio dos Bandeirantes, para obter o apoio dos tucanos.

Judicialização - Pode acabar no Judiciário a disputa pela Primeira Secretaria da Mesa da Câmara. O líder do PSD, Guilherme Campos (SP), afirma que "não há hipótese" de o partido abrir mão do cargo, para o qual está indicado o deputado Fábio Faria (PSD-RN). O problema é que cálculo da Diretoria-Geral aponta empate no número de deputados com o PSDB, que teria a primazia da escolha por ser a sigla mais antiga. Campos afirma que, se necessário, o PSD vai levar a briga para o Supremo Tribunal Federal.

Sob tensão - Acendeu a luz amarela no Ministério dos Esportes, após o terceiro adiamento na data de entrega do Maracanã, que agora ficará pronto em 28 de maio, a 19 dias do início da Copa das Confederações. Pelo cronograma inicial, as obras de reforma seriam concluídas em dezembro de 2012.

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