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Um tabu que mobiliza as eleições dos gaúchos

Azarão no 1º turno, Sartori lidera pesquisas no Estado que não reelege governador

Lisandra Paraguassu - Enviada especial a Porto Alegre, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2014 | 21h49

O Rio Grande do Sul chega ao 2.º turno das eleições preparado para manter a tradição: não reeleger o governador. Tarso Genro (PT), escolhido em 1.º turno em 2010, se mantém atrás do candidato José Ivo Sartori (PMDB), o ex-prefeito de Caxias que derrubou todas as pesquisas ao vencer a primeira etapa das eleições.

Atropelado pela crônica crise financeira gaúcha e por um crescente sentimento de antipetismo no Rio Grande do Sul, Tarso aposta em uma cada vez mais distante virada de última hora, mas a possibilidade concreta de, mais uma vez, o PT não conseguir a reeleição no Estado assombra o candidato.

As duas últimas pesquisas apontam uma vitória folgada de Sartori. Pelo Ibope, o peemedebista teria 53% das intenções de voto, contra 37% de Tarso Genro. No Datafolha, quase o mesmo porcentual, com o governador um pouco abaixo, 36%.

A campanha do PT vende a ideia de que suas pesquisas internas apontam para números muito mais favoráveis - uma diferença de apenas quatro pontos - e a tradição dos levantamentos no Rio Grande do Sul, que erraram feio no 1.º turno, até permite questionamentos aos atuais resultados. Mas, desde o início, sabia-se que Tarso estava frente a frente com uma missão quase impossível.

Arrancada. Azarão na disputa, Sartori saiu de 4% nas pesquisas iniciais do 1.º turno para vencer o governador por 40,4% contra 32,6%, em um avanço concentrado nos últimos dias, quando ficou claro para os eleitores que o ex-prefeito teria mais facilidade de derrotar Tarso em um 2.º turno do que a senadora Ana Amélia Lemos (PP), até então a favorita nas pesquisas de intenção de voto.

A bem-sucedida estratégia de desconstrução de Ana Amélia, usada pelo PT no 1.º turno, permitiu que Tarso crescesse, mas acabou se revelando ainda mais positiva para Sartori, o que a campanha petista não considerou. Acreditava-se que a evolução do ex-prefeito não seria rápida o suficiente para ultrapassar a senadora.

Como o próprio governador avaliou, Sartori correu por fora. Não foi atacado na primeira fase da campanha e, assim, participou do debate lateralmente.

Terminou por herdar, no 2.º turno, mais da metade dos votos de Ana Amélia.

O PT apostou, desde o início, no mesmo caminho de desconstrução para derrubar o peemedebista, mas a estratégia até agora não teve resultados.

Primeiro, acusou o ex-prefeito de participação em governos gaúchos “desastrosos”, como o de Yeda Crusius (PSDB) e de Germano Rigotto (PMDB), mas o tempo passado não favorece a comparação.

Tarso passou a tentar imputar a Sartori a pecha de desconhecimento da realidade do Estado e de não ter propostas concretas. Mas nem mesmo o vídeo do ex-prefeito fazendo piada com o piso nacional dos professores - em que ele recomenda que se vá a uma loja de construções buscar o piso -, explorado à exaustão pela campanha petista, parece ter surtido qualquer efeito.

Sartori tem demonstrado irritação nos últimos dias com as cobranças do petistas, e repete que tem sim propostas, mas não faz promessas que não sabe se poderá cumprir. “Quem faz promessas e não cumpre é o outro candidato. Eu não posso falar o que não sei se será possível fazer”, diz, admitindo que, antes de assumir, não teria condições de saber a real situação das finanças gaúchas.

O ex-prefeito, que declarou apoio ao candidato tucano Aécio Neves no primeiro dia depois do 2.º turno, contrariando a orientação nacional, congregou ao seu redor o sentimento antipetista que cresceu no Rio Grande do Sul, mas evita assumir essa postura. Repete sempre seu slogan - “Meu partido é o Rio Grande” - e diz que todos serão bem-vindos em seu governo.

Já Tarso reconhece a existência desse sentimento avesso ao partido ao qual é filiado, fato que atribui ao noticiário diário, mas acredita que há mais questões envolvidas nesta eleição. “Está difícil desde o começo. Embora o nosso prestígio seja maior do que qualquer outro em final do governo, com (avaliação de) 37% de bom e ótimo, aqui se cruzam uma série de questões políticas, como a relação com o governo federal, a questão da dívida pública, a tradição de não reeleger o governador...”

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