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Um sobrenome e dois cachorros na disputa em SP

Ex-aliados, os irmãos Roberto e Xexéu Tripoli concorrem agora por partidos diferentes e levam cães à campanha

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2020 | 05h00

O mesmo sobrenome está representado por dois cães diferentes nas eleições para vereador de São Paulo neste ano. Um é um border collie preto e branco, cujo “tutor” é um campeão de votos que já ocupou assento na Câmara Municipal sete vezes. O outro é um vira-lata bege de lencinho no pescoço, que tem como “dono” um vereador que tenta a primeira reeleição.

Roberto e Xexéu Trípoli (PV e PSDB, respectivamente) são irmãos e ex-aliados que agora concorrem por siglas diferentes. Roberto, de 66 anos, esteve na Câmara Municipal de 1988 a 2014 e é o primeiro parlamentar do PV na cidade. Foi reeleito seis vezes seguidas depois da primeira eleição, sendo que, no último ano, foi o vereador mais votado do País (132 mil votos). Entre 2005 e 2007, chegou a presidir a Câmara. Deixou a Casa em 2014, eleito deputado estadual.

Já Xexéu foi eleito pela primeira vez em 2016 com significativo apoio do irmão: seu material de campanha consistia basicamente do sobrenome da família (acrescido de “Reginaldo”, seu nome de batismo, em tamanho tão pequeno a ponto de caber entre o “p” e o “o” de Trípoli) com a foto do border collie do irmão e seu número. Não havia sua foto. Nas redes, os projetos apresentados eram os da família. Conseguiu mais de 88 mil votos e medalha de bronze na cidade. E admitiu, em entrevistas, que pessoas poderiam ter “se confundido” e votado nele pensando que era o irmão.

Os Trípolis são um clã cujo irmão mais velho, Ricardo, de 68 anos, foi deputado federal. Hoje, ele faz parte da equipe de governo de Bruno Covas (PSDB) e já doou R$ 10 mil à campanha de Xexéu, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Interlocutores no PV dizem que a disputa é consequência de uma ruptura em família. Xexéu não teria gostado de interferências do irmão e do partido em seu gabinete após a eleição. Ricardo teria reprovado a recusa do irmão em atender a seus pedidos após a ajuda para elegê-lo. O relacionamento dos dois teria azedado a ponto de o vereador buscar outra legenda.

Roberto nega que haja uma briga com o irmão. “Não vou disputar contra ele. Vou disputar com todos os candidatos a vereador”, disse o candidato ao Estadão. Procurado ao longo da semana, Xexéu deixou de responder aos contatos quando soube que a reportagem era sobre a relação com o irmão.

Roberto afirmou que decidiu voltar à política municipal para dar apoio ao PV e manter a pauta verde presente nas discussões da cidade. “O partido precisava de uma pessoa que pudesse ajudar, por isso decidimos que eu saísse”, disse, ao relatar que a decisão de ele se candidatar só foi tomada após a confirmação de que Eduardo Jorge não disputaria a eleição para prefeito no partido.

A separação, entretanto, não colocou a dupla em campos políticos opostos. Tanto o border collie de Roberto quanto o vira-lata de Xexéu, nesta campanha, estão na coligação que busca votos para o prefeito Bruno Covas (PSDB), que busca a reeleição.

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