Um 'novo' ministro no jantar de Dilma

Mercadante já tem tarefas para a Educação

VERA ROSA, RAFAEL MORAES MOURA, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2011 | 03h02

No jantar de confraternização oferecido aos aliados pela presidente Dilma Rousseff, na quarta-feira, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, era só sorrisos. Prestes a substituir Fernando Haddad na cadeira da Educação, ele já avisou à equipe que mudará de posto na Esplanada e, na festa no Palácio da Alvorada, não escondia a satisfação.

Haddad deixará o cargo em janeiro, para entrar na campanha à Prefeitura de São Paulo. Em conversas reservadas desde o início do mês, Dilma pediu a Mercadante que se dedique a dois assuntos: resolver os problemas do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) e pôr de pé o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

Diante dos convidados - ministros, parlamentares e dirigentes de partidos -, Dilma não mencionou a reforma ministerial. Falou do atual momento político usando um bordão de Luiz Inácio Lula da Silva. "Nunca na história deste País um governo aprovou tantos projetos em um ano."

Àquela altura, no entanto, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) já parecia preocupada com a operação do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) para barrar a votação do Orçamento. O PDT, que perdeu o ministro Carlos Lupi na "faxina", não mandou representante no Congresso para o jantar. Estava lá apenas o interino do Trabalho, Paulo Roberto Pinto.

Bem-humorada, a presidente aconselhou os aliados a descansarem nas festas para enfrentar os embates políticos de 2012. "No dia 1.º de janeiro começa tudo de novo", disse. "No dia 1°? Será que essa parte não pode ser quando a senhora voltar?", provocou o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), curioso em saber quantos dias Dilma tirará de férias. "Agora ele pergunta quando vou viajar e quer saber se o (Michel) Temer vai porque gostou de assumir a Presidência", brincou Dilma.

Dilma elogiou Temer por ser "leal e competente" e agradeceu ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e aos 14 partidos da base.

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), deu a Dilma um broche com um mapa do Brasil em ouro e uma turmalina verde. "É para a senhora usar nos próximos sete anos." Dilma pareceu intrigada, mas depois riu. "Ah... Agora que caiu a ficha."

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