Um jogo de futebol e o legado para a cidade

Para receber abertura da Copa, Prefeitura deu incentivo fiscal e lançou pacote de obras com o Estado, prometendo deixar benefícios para a região

DÉBORA ÁLVARES, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2012 | 03h02

Escolhida para sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014, São Paulo tem um estádio em fase de construção, popularmente conhecido como Itaquerão, hoje com 51% dos trabalhos executados e previsão de conclusão em dezembro de 2013. Até o evento, no entanto, muita coisa ainda precisa ser feita.

Apesar de ser a área da capital que concentra a maior parte da população - 5 milhões dos 10,8 milhões de habitantes de São Paulo -, a zona leste, onde fica a nova arena do Corinthians, tem menos empregos e sofre, ainda, com a falta de infraestrutura.

Segundo a Prefeitura, foram justamente a necessidade de superar essas contradições e deixar um legado para São Paulo os critérios para escolher a região. A previsão é a de que o estádio e a abertura da Copa gerem um acréscimo de R$ 30 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do município em dez anos, levando a Prefeitura a arrecadar R$ 1 bilhão em tributos.

Para melhorar a infraestrutura da região, estão previstas parcerias com o governo do Estado. Algumas obras do Complexo Viário do Polo de Itaquera, como a construção de novas vias, começaram em setembro, com um investimento total de R$ 478,2 milhões - R$ 345,9 milhões do governo e R$ 132,3 milhões da Prefeitura.

Além disso, a Prefeitura prevê gastar mais R$ 131 milhões com as obras de prolongamento da Radial Leste, parte do plano de desenvolvimento da região, com benefícios para os distritos de Itaquera, Penha, São Miguel e Guaianases. Uma das obras é que a passa na casa de Marcos Godoy, na Rua Porto Amazonas, Itaquera.

Segundo especialistas ouvidos pelo Estado, mais do que estádios e novas obras viárias, São Paulo precisa pensar em um plano maior, mais estratégico, para que a Copa deixe de fato um legado. Para o engenheiro e mestre em Transportes pela USP Sérgio Ejzenberg, é errado dar prioridade a investimentos que não beneficiam a população. "A decisão de fazer obras para estádios é deplorável. O acesso a estádios não vai mudar a vida de pessoas que precisam de saúde e educação."

Após o anúncio da Copa no Brasil, a Prefeitura criou um plano de desenvolvimento da zona leste, que prevê a criação do Polo Institucional de Itaquera - com a construção de uma rodoviária, um Fórum Regional da Justiça, um pavilhão de exposições e um centro de convenções. Além disso, haverá hotéis, laboratórios e incubadora do Parque Tecnológico de São Paulo. Unidades do Senai, uma Fatec e uma Etec também serão instaladas. A medida mais esperada, porém, é a concessão de incentivos para empreendedores que quiserem se instalar na região. Aprovada em 2004, na gestão Marta Suplicy (PT), e alterada duas vezes no atual governo, a legislação vale até 2017, mas ainda não saiu do papel.

O único edital lançado desde então destinou-se apenas à construção do estádio, com a concessão de R$ 420 milhões em isenções fiscais ao Corinthians. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, não há data definida para a publicação de edital para beneficiar outras empresas.

O urbanista Gilberto Belleza chama a atenção para a importância da organização na preparação de um grande evento que afeta a vida da população. "É preciso pensar em questões como mobilidade, transporte público, o impacto urbano que um evento de grande porte vai trazer, a quantidade de estacionamentos disponíveis. Tudo precisa ser adaptado." / COLABOROU THIAGO MATTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO

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