Um impeachment interno

Pior avaliado do País, com 70% de reprovação, investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por desvio de verba pública quando ministro do Esporte e por suspeita de subornos quando funcionário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, está sob intervenção do Palácio do Planalto.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2012 | 03h03

Não por virtude do governo Dilma Rousseff, mas por instinto de defesa do PT depois de constatar que o atual governador do DF caminha perigosamente na mesma direção que apeou do cargo o seu antecessor José Roberto Arruda, dando início à hemorragia em que se esvai desde então o DEM.

Eleito pela mesma aliança de Arruda, por sua vez herdada de Joaquim Roriz (seu criador e antecessor), Agnelo só teve visibilidade pelos escândalos que protagonizou, nenhum deles respondido. A exemplo dos antecessores, controla a Câmara Distrital, que já recusou a abertura de cinco pedidos de impeachment.

Desembarcaram em seu governo nas últimas semanas duas personagens com os quais o governo federal espera interditar Agnelo: o ex-ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto (Secretaria de Planejamento) e Swedenberger Barbosa (Casa Civil), assessor especial de José Dirceu no primeiro governo Lula, que deu seu aval público à operação em carta lida na posse do ex-subordinado.

Na hipótese de condenação de Agnelo pelo STJ, e seu consequente impedimento, esse movimento operado agora poderá manter o PT no controle do governo. Só não evitará o que já se sabe de longa data : o esquema de corrupção do governo Arruda foi, na verdade, gerenciado por uma aliança suprapartidária.

DEM e o custo

Demóstenes

A bancada do DEM no Senado já contabilizou as perdas com a renúncia e desfiliação de Demóstenes Torres, que parecem inevitáveis. Sem ele, a bancada fica reduzida a quatro senadores. Como Clóvis Fecury (MA) é suplente e pode, a qualquer momento, devolver a cadeira ao titular do PMDB, sobram três. Mas com Maria do Carmo(SE) ameaçada no TSE de perda do mandato, restam dois senadores, insuficientes para que o partido preserve o gabinete da liderança: uma estrutura que comporta até 82 cargos, dos quais apenas 7 são de carreira.

Virando o jogo

A Executiva do PT trabalha, nos bastidores, para transformar a pré-candidatura alternativa do deputado Maurício Rands à Prefeitura do Recife em plano A. Rands lançou-se contra outro petista, João da Costa, atual prefeito, que tem a máquina pública nas mãos. Em contrapartida, Rands tem o apoio do governador Eduardo Campos (PSB), que não simpatiza com a reeleição de Costa. Eles vão disputar prévia em maio.

Mais oxigênio

Com a quitação, em julho, da dívida de R$ 42 bilhões da Caixa com os trabalhadores, para compensar as perdas do FGTS dos Planos Verão e Collor, a CNI pressiona pelo fim da cobrança do adicional de 10% à multa por demissão sem justa causa, que recai sobre os empregadores. O Senado aprovou, em 2009, projeto de lei com essa finalidade, mas a proposta empacou na Câmara. A extinção poderia ter ocorrido em 2010, mas o Ministério do Trabalho resistiu, alegando um prejuízo de R$ 22 bilhões.

Rigor seletivo

Marta Suplicy interrompeu o discurso de Aécio Neves contra o governo Dilma, na quarta-feira, por três vezes, para adverti-lo de que já ultrapassara os 10 minutos do seu tempo regimental. À oposição que cobrou tolerância de meia-hora dada a José Sarney (PMDB-AP), respondeu simplesmente: "Fiz uma liberalidade".

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