WILTON JUNIOR / ESTADÃO
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Um ex-prefeito, o atual, uma delegada e uma veterana disputam o voto do carioca

Veja os perfis dos quatro candidatos mais bem colocados nas pesquisas: Paes, Crivella, Martha Rocha e Benedita

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2020 | 05h00

Rio - Um ex-prefeito, o atual prefeito, uma delegada e uma veterana na política disputam neste domingo o voto dos cariocas numa eleição considerada "morna" em relação a outros anos. Leia abaixo os perfis dos quatro candidatos mais bem colocados nas pesquisas mais recentes: Eduardo Paes (DEM), Marcelo Crivella (Republicanos), Martha Rocha (PDT) e Benedita da Silva (PT).

Eduardo Paes (DEM)

Coligação: DEM, Cidadania, DC, PV, Avante, PL e PSDB

Se a gestão Crivella é marcada pela falta de uma marca ou de projetos de impacto, Eduardo Paes é conhecido pelo oposto. Durante seus oito anos à frente da prefeitura, entre 2009 e 2016, o Rio sediou grandes eventos e viveu um boom simbolizado pelo Cristo Redentor decolando na capa da revista britânica The Economist. É esse legado de obras, como o sistema de ônibus do BRT e a revitalização da zona portuária, por exemplo, que o candidato do DEM usa para comparar a sua gestão com a de Crivella. 

Quando foi eleito prefeito, em 2008, Paes tinha apenas 39 anos e cumprira dois mandatos como deputado federal. Antes, havia sido o vereador mais votado do Rio. Em 2006, desistiu de continuar na Câmara dos Deputados para tentar o governo do Estado pelo PSDB, mas obteve apenas 5%. Apoiou, no segundo turno, um homem que seria figura-chave, para o bem e para o mal, na sua trajetória dali em diante: o emedebista Sérgio Cabral. 

No ano seguinte, Paes virou secretário de Esportes e Turismo do novo governo e se filiou ao PMDB, pelo qual seria eleito prefeito e atuaria em parceria com Cabral durante a era dos grandes eventos. Reeleito com 62% dos votos no primeiro turno de 2012, o prefeito viu as coisas piorarem a partir de 2016. Foi quando não conseguiu eleger seu sucessor e seu então partido viveu uma hecatombe no Rio após os escândalos envolvendo Cabral virem à tona. 

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Paes migrou para o DEM, onde está hoje, mas seus adversários conseguiram associá-lo aos caciques emedebistas na disputa pelo governo do Estado, em 2018. Ele perdeu o segundo turno para o azarão Wilson Witzel, hoje afastado do cargo e denunciado por suspeitas de corrupção. 

Carioca quase de anedota, Paes participa dos desfiles das escolas de samba e vai à quadra da escola de coração. Também é visto, vez ou outra, em botecos da cidade.

Marcelo Crivella (Republicanos)

Coligação: Republicanos, Podemos, PTC, PMN, PRTB, PP, Patriota e Solidariedade

Foram cinco campanhas a cargos no Executivo até Marcelo Crivella conseguir se descolar da imagem de bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. Eleito em 2016 para a prefeitura do Rio - aproveitando a rejeição a Marcelo Freixo (PSOL) no segundo turno -, o agora mandatário chega às urnas como o candidato mais rejeitado. Protagonizou uma gestão sem marca. Sua rejeição passa de 60%, segundo as últimas pesquisas. 

Antes de conseguir ser o primeiro comandante de uma grande capital ligado à Universal, Crivella passou cerca de 14 anos no Senado, enquanto tentava vencer as eleições para prefeito e governador - duas de cada, antes da vitoriosa de quatro anos atrás. Nesse período em Brasília, licenciou-se por dois anos, entre 2012 e 2014, para assumir o Ministério da Pesca no governo de Dilma Rousseff (PT). 

Crivella, que vê na aproximação com o bolsonarismo a principal esperança para chegar ao segundo turno, nunca pareceu muito afeito ao cargo de prefeito do Rio e à simbologia intrínseca a ele. Termina o primeiro mandato, por exemplo, como o primeiro da história da cidade a não pisar na Marquês de Sapucaí em nenhum dos oito dias de desfiles das escolas de samba, ao longo dos quatro anos.

Faltando um ano para a eleição, começou a acenar ao eleitorado conservador, tentando pegar carona com o discurso bolsonarista da eleição de 2018. Conseguiu, mesmo rejeitado pela maioria da população, atrair o apoio do presidente Jair Bolsonaro, num contexto de filiação dos filhos dele ao Republicanos. O partido, ligado à Universal, serviu de abrigo temporário para os entusiastas do Aliança Pelo Brasil, legenda que o clã não conseguiu criar a tempo das eleições deste ano.

Martha Rocha (PDT)

Coligação: PDT e PSB

O gabinete da deputada estadual Martha Rocha na Assembleia Legislativa do Rio ajuda a traçar seu perfil. Há, ali, objetos sacros, quadros da Polícia Civil e uma capa de cadeira com a imagem do ex-governador Leonel Brizola (1922-2004). 

Representante do PDT na eleição deste ano, a delegada, que foi a primeira mulher a chefiar a corporação na história do Rio, chegou ao fim da disputa ainda em condições de tentar passar ao segundo turno.

Apesar de segurança ser associada ao governo estadual, o fato de ter sido policial serviu para Martha ligar sua imagem a um tema tão caro à população carioca. O termo “delegada” foi martelado a todo instante na propaganda e a identidade visual da campanha simulava um brasão com o número 12 inserido. Assim, sinalizava ao eleitorado mais conservador, adepto da linha-dura contra o crime.

Na Assembleia Legislativa, Martha preside o Conselho de Ética. Nos últimos meses, comandou a comissão especial criada para fiscalizar a atuação do governo durante a pandemia. Também esteve na comissão do impeachment de Wilson Witzel. Assim como todos os demais deputados, votou a favor do processo. 

Nascida na Penha, na zona norte da cidade, filha de pais portugueses, a deputada entrou para a Polícia Civil em 1983, quando tinha 23 anos. Começou como escrivã e foi ganhando espaço até chefiar a corporação. 

Candidata pelo partido de Ciro Gomes, que busca no Rio um bom palanque para 2022, Martha evitou nacionalizar a campanha. Agiu assim apesar do excelente desempenho do cacique pedetista na cidade há dois anos. Ele teve 19% dos votos, ante 12% do petista Fernando Haddad.

Isso porque o eleitorado de Martha não é necessariamente de esquerda. Muito pela associação ao cargo de delegada, a candidata tem votos pulverizados entre diversos segmentos, como mostraram as pesquisas. Ciro, nesse contexto, poderia afastar esses eleitores e aumentar sua baixíssima rejeição, que passou todo o período eleitoral na casa dos 10%.

Benedita da Silva (PT)

Coligação: PT e PCdoB

A deputada federal Benedita da Silva será a candidata mais idosa a ter o nome nas urnas cariocas hoje. Aos 78 anos, a petista traz consigo uma história política que inclui mandatos espaçados como deputada federal, um ano como governadora interina do Rio e quatro anos como senadora, além de ter sido ministra no governo Lula, secretária de Assistência Social de Sérgio Cabral e vereadora. 

Evangélica, "Bené" é filha de uma lavadeira e de um pedreiro que viviam na antiga favela da Praia do Pinto, na zona sul do Rio. Cresceu em outra comunidade: o Chapéu-Mangueira, no Leme, também na zona sul. Antes de se formar como auxiliar de enfermagem e em serviço social, trabalhou na infância como vendedora de amendoim e, na adolescência, fez outros bicos para sobreviver. 

À eleição de 2020, ela chega como representante de um partido que não tem tradição municipal no Rio. Em 2016, a legenda apoiou Jandira Feghali, do PCdoB. Antes, compunha a gestão de Eduardo Paes quando ele era do MDB. Para este ano, contudo, no contexto em que as siglas progressistas tentam se posicionar para 2022, o PT decidiu lançar candidatura própria após a desistência de Marcelo Freixo (PSOL). Ele contava com acordo para receber o apoio dos petistas caso concorresse. 

Como estratégia eleitoral, Bené apostou na nacionalização do pleito na última semana. Fez, a todo momento, críticas ao presidente Jair Bolsonaro, além de ter inserido Lula na campanha e levado o ex-presidenciável Fernando Haddad para agendas na cidade. Em entrevista ao Estadão, contudo, afirmou que, uma vez eleita, não teria problemas em conversar institucionalmente com o presidente.

 

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