Um discurso para duas audiências

É difícil discordar do pronunciamento que a presidente Dilma Rousseff fez nesta terça-feira, 24, na ONU no que tange às críticas à intromissão americana em nossos assuntos privados.

ANÁLISE: Gabriel Cepaluni, é professor de relações internacionais da Unesp, campus Franca, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2013 | 02h10

Os Estados Unidos devem desculpas não apenas ao Brasil, mas a todos os países vítimas de espionagem. Infelizmente, o presidente Barack Obama tem apenas abordado o tema timidamente. Logo depois da fala de Dilma, ele fez novamente declarações vagas sobre o assunto.

Mas o pronunciamento da presidente ontem estava mais preocupado com outro alvo: o público brasileiro. Belos e justos discursos, no entanto, nem sempre trazem benefícios concretos. A política, ainda que se alimente da retórica, deve ter uma dimensão prática para que os resultados dos discursos sejam eficientes. E nisso Dilma tem deixado a desejar. Quando ela diz que conseguiu "ouvir e compreender" as vozes das ruas, os fatos mostram que não é bem assim. Ela sugeriu como resposta às manifestações de junho, por exemplo, um plebiscito sobre reforma política e a vinda de médicos estrangeiros para trabalharem no Brasil. A primeira proposta, de tão técnica e abstrata, estava longe dos anseios da população. A segunda, ainda que mais pragmática, é apenas um paliativo frente aos graves problemas na área da saúde.

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