Um dia de gafe e muitos protestos no Planalto

Dilma enfrenta vaia após equívoco e manifestações de 3 grupos distintos

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2012 | 02h10

A presidente Dilma Rousseff viveu ontem um dia de vaia e protestos no Planalto, que envolveram desde agricultores endividados, sindicalistas que querem o fim do fator previdenciário e até índios que pediam demarcação de suas terras em Mato Grosso.

Pela manhã, Dilma provocou reação dos participantes da 3.ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Em discurso de improviso, a presidente usou a expressão "portador de deficiência". "Eu fiquei muito impressionada como a tecnologia pode nos ajudar a dar condições melhores de vida, melhores oportunidades para portadores de deficiência", afirmou. A gafe desencadeou um burburinho que culminou em vaia.

"Desculpe, desculpe", corrigiu-se Dilma. "Eu entendo que vocês tenham esse problema, porque portador não é muito humano, não é? E pessoa é, então é um outro tratamento. A primeira vez que eu vi vocês protestarem, eu fiquei pensando por quê. Aí, cheguei a essa conclusão, espero que seja a conclusão certa", disse a presidente, aplaudida em seguida. No fim do discurso, ao defender a igualdade de oportunidades e prometer que seu governo está comprometido com a inclusão dos deficientes, Dilma foi ovacionada.

Protestos. Quando a presidente participava da solenidade seguinte, o Planalto começava a ser "sitiado" por cerca de 150 agricultores endividados do Nordeste, que exigiam renegociação das dívidas. Quando já deixava a cerimônia e subia a rampa interna do Planalto, em direção ao seu gabinete, Dilma foi informada pelo chefe da segurança, general Marco Antônio Amaro dos Santos, que os manifestantes bloquearam o trânsito na avenida em frente ao Planalto.

O militar chegou a mostrar a cena para a presidente ainda na rampa. A pista ficou fechada por quatro horas e meia e houve confusão entre os agricultores e policiais militares.

Mais tarde, sindicalistas liderados pelo deputado Paulinho da Força (PDT-SP) tentaram invadir o Planalto. Eles queriam uma audiência com Dilma para pedir a votação ainda neste ano do fim do fator previdenciário. Houve um início de confronto com seguranças e a Polícia do Exército.

Ao ver a nova confusão, os agricultores que já haviam liberado a pista também tentaram entrar no Planalto, mas foram barrados ainda no estacionamento. Nessa hora, índios que queriam a demarcação de suas terras se juntaram aos agricultores e iniciaram uma série de danças.

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