Um de cada seis minutos é usado para ataque no horário eleitoral na TV

Aécio é candidato que gasta mais tempo com críticas diretas e indiretas aos adversários, segundo levantamento de universidade

Pedro Venceslau e Lilian Venturini, O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2014 | 23h00

Um de cada seis minutos do horário eleitoral de TV dedicado às candidaturas presidenciais foram utilizados pelos candidatos até agora para atacar adversários. Quarenta e um dias após o início da exibição dos programas - os presidenciais vão ao ar terças, quintas e sábados -, Aécio Neves é quem mais dedicou espaço às críticas.

Entre o primeiro programa no dia 19 de agosto e o que foi exibido na quinta-feira, dia 25, o tucano, que conta com 4min35s em cada bloco de 20 minutos, investiu 32% do seu tempo, ou 24min56s, com o que os especialistas chamam de “campanha negativa”. Com 2min03s em cada bloco, a candidata do PSB, Marina Silva, utilizou 18% do seu tempo, ou 6 min16s, para criticar os adversários. Já Dilma Rousseff, que disputa a reeleição e conta com 11min24s diários em cada bloco, usou 10% do seu tempo, ou 19min23s, para atacar os adversários.

O levantamento, que foi feito pelo Laboratório de Pesquisa em Eleições, Comunicação Política e Opinião Pública da Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ) a pedido do Estado, mostra que o tucano dividiu seus ataques entre Dilma e Marina, mas a petista foi seu foco principal. Já Dilma e a candidata do PSB trocaram críticas e deixaram o presidenciável do PSDB em segundo plano.

A campanha negativa detectada no levantamento leva em conta apenas os programas com blocos de 20 minutos - dois blocos por dia. Não inclui as inserções, por meio das quais boa parte dos ataques é feita.

A intensidade das críticas oscilou conforme os resultados das pesquisas de opinião. Não foi por acaso que o dia 6 de setembro foi o mais agressivo do horário eleitoral: 51% do tempo total foi gasto com propaganda negativa. Três dias antes, uma pesquisa do Ibope mostrou Marina em situação de empate técnico no 1º turno com Dilma pela primeira vez: 37% para a petista e 33% para a pessebista. Aécio registrou 15% nessa data, seu pior desempenho. Em seu programa, Dilma usou 5min17s para criticar a adversária. “Surgem vozes que ameaçam essa grande riqueza nacional que é o pré-sal. A candidata Marina Silva é uma delas. Ela tem defendido o fim da prioridade ao pré-sal”, disse a petista.

Já Aécio gastou nesse dia 1min32s dos seus 4min35s para atacar Dilma e Marina. “Aécio é a favor de diminuir a maioridade penal em caso de reincidência e crimes hediondos. A Dilma é contra, e a Marina também”, compara o ator da campanha.

Nesse dia, Marina, que vinha sendo criticada por não ter experiência, usou a maior parte do programa para mostrar sua biografia e dizer “que tem liderança” e “conhece bem o Congresso”. Mas 27s de seus 2 minutos e pouco foram usados para que ela se defendesse com ataques. “No meu governo, os recursos do pré-sal serão usados para saúde e educação, e não para a corrupção.”

Três dias depois desse programa, a campanha de Dilma levou ao ar sua inserção mais polêmica. Uma encenação com atores simulava uma reunião de banqueiros e ligava a proposta de Marina de dar independência ao Banco Central à falta de comida na mesa das famílias. A inserção foi incorporada ao programa de TV. Três dias depois, as pesquisas registram o começo da queda de Marina.

Mira. Em nenhum dos programas exibidos na TV desde o início do horário eleitoral Aécio deixou de fazer referências negativas, diretas ou indiretas, ao atual governo. Na maior parte das vezes, elas eram verbalizadas pelo próprio candidato.

Já Marina tornou-se figura constante nos programas na medida em que a adversária começou a avançar nas pesquisas de intenção de voto. Foi no fim de agosto que a mira de Aécio se voltou para a ex-ministra do Meio Ambiente. Dos 17 programas analisados, até a última quinta-feira, em apenas um deles a campanha tucana não fez referências diretas à adversária do PSB.

O primeiro ataque direto foi veiculado em 30 de agosto. As primeiras abordagens do PSDB procuravam associar Marina à incerteza e à ideia de que a ex-ministra não tinha experiência ou força política - discursos parecidos aos usados pela campanha petista. Mas o mote de que Aécio simbolizava a “mudança segura” aos poucos foi substituído por ataques mais contundentes. Em sua fala mais dura na TV, Aécio a classificou como “metamorfose ambulante”, em tentativa de explorar as alterações feitas no programa de governo da adversária menos de 24 horas depois de lançado.

Na campanha de Marina, os ataques ficaram mais frequentes apenas a partir de 6 de setembro. Até então, Marina preferia fazer referências indiretas aos adversários, sob o discurso já conhecido das críticas à “velha política”. Em 4 de setembro, a candidata chegou a dizer que não iria “desperdiçar tempo com ataques e agressões”. Dois dias depois, Marina passou a se defender das insinuações da campanha petista de que não priorizaria o pré-sal e de que ficaria ao lado dos bancos ao propor a autonomia do Banco Central.

Os ataques mais contundentes coincidem com a queda nas intenções de voto. A exemplo de Aécio, Marina explorou as denúncias de corrupção envolvendo a Petrobrás. Com pouco tempo diante dos adversários, a campanha do PSB fez todo o programa da última terça, dia 23, dedicado a ataques. “(Preferia que Dilma) apresentasse um programa na forma de um pedido de desculpas porque ela vai entregar um País pior do que encontrou.”

 

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