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João Bosco Rabello
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JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2013 | 02h02

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Em meio ao confronto entre PT e PSB, o Planalto afaga o PSD, sucedâneo natural do PSB na ampla e heterogênea base governista. Quatro meses após a aprovação na Câmara, o governo deu sinal verde para o Senado votar, na próxima semana, a criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, com status de ministério, prometida ao partido de Gilberto Kassab. A pasta terá 66 cargos de confiança e orçamento de R$ 7,9 milhões. O nome mais cotado para ocupá-la é o do vice-governador paulista Guilherme Afif.

Pescado

Em rota de colisão com seu partido, o governador do Ceará, Cid Gomes, anunciou que se a candidatura presidencial de Eduardo Campos for imposta pelo PSB, será obrigado "a deixar o partido", cumprindo o "script" do Planalto. Nos bastidores, Gomes flerta com o PRB do ministro da Pesca, Marcelo Crivella, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. Crivella esteve recentemente no Ceará, onde assinou convênios de R$ 4 milhões com o governo e ainda emplacou o superintendente regional da Pesca. Pimentel

O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel (PT), lançou sua pré-campanha ao governo de Minas Gerais na última sexta-feira, em Juiz de Fora, com uma palestra a 400 empresários promovida pela Federação das Indústrias (Fiemg) - a mesma que o fez alvo de denúncias por contratos suspeitos de consultoria, que lhe renderam R$ 2 milhões entre 2009 e 2010. As denúncias foram arquivadas pela Comissão de Ética da Presidência em outubro.

Mais do mesmo

Em evento para empresários promovido pelo governo do Ceará na última quinta-feira, a dupla Bruno & Marrone embalou uma palestra do ex-ministro Ciro Gomes sobre a crise internacional. O cachê é estimado em R$ 150 mil. A Casa Civil divulgou recentemente que o governo de Cid Gomes gastou R$ 38,8 milhões com shows nos últimos cinco anos.

Os movimentos mais recentes no xadrez da sucessão presidencial de 2014 indicam, com margem lógica de segurança, que a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, chegou a um ponto de não retorno. A reação hostil ao aliado, junto com o abraço ao PMDB, reflete a percepção do governo de que não tem mais âncora do navio socialista.

A candidatura de Campos foi desde sempre uma aposta no futuro, para o qual precisa construir um recall, o que o torna refratário a raciocínios sobre sua inferioridade eleitoral. Como o lançado pelo governador do Ceará, Cid Gomes, ao acenar com a "pouca estrada" do presidente de seu partido. O governador olha para 2018 e não acredita chegar lá pelas mãos do PT.

A guerra deflagrada pelo Planalto, com o estímulo a dissidências no PSB e retaliações políticas - como a de retirar da órbita do governo estadual o Porto de Suape -, se mexem na zona de conforto do governador aliado, tornam mais confortável a meta do candidato de obter maior visibilidade nacional.

Consolidada, a candidatura de Campos destrói a estratégia do ex-presidente Lula de repetir a polarização eleitoral entre PT e PSDB, criando expectativa concreta de segundo turno, que levaria a uma aliança natural entre PSDB e PSB,

Enquanto o cenário indesejável para o PT se desenha, a presidente Dilma Rousseff, na condição de candidata em campanha, precisará enfrentar a resistência ideológica de seu partido para reconquistar a confiança dos investidores, abalada pela linha intervencionista de seu governo e indispensável para a retomada do crescimento.

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