Um aliado que tira o sono do Governo

Governador do PSB medirá forças com PMDB e Lula já cogita oferecer a Vice ao pernambucano

JOÃO DOMINGOS, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2013 | 02h09

BRASÍLIA  - Aliado dos petistas desde a primeira candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, é visto hoje no PT como a grande ameaça ao projeto de poder do partido. Nem a presidente Dilma Rousseff conseguiu arrancar de Campos a garantia de que ele não vai disputar o Planalto no ano que vem. Indagado sobre suas pretensões, o governador disse à presidente que é aliado fiel em 2013. Mas não poderia fazer promessas para 2014.

A preocupação com as movimentações de Campos são tão grandes que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi acionado a, desde já, convencer o governador de que é mais interessante abrir mão de uma disputa daqui a um ano para ter a certeza do apoio petista em 2018. "O PT não pode ficar à frente da cabeça de chapa o tempo todo. Uma hora temos de abrir mão. E acho que 2018 é um bom ano, porque a presidente Dilma Rousseff, se reeleita, poderá terminar os projetos sociais e de serviços para a nova classe média iniciados por Lula", disse o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), que está deixando o cargo.

De acordo com petistas, Lula sabe que só o gogó não será suficiente para tirar de Campos a disposição de disputar o Planalto. É preciso oferecer-lhe mais. E Lula, informam os petistas, poderia negociar a vaga à vice-presidência para o presidente do PSB. O problema é que Lula não tem autorização para fazer a oferta, porque Dilma já teria fechado a vaga com o atual vice, Michel Temer (PMDB). Marco Maia disse que o PT poderia oferecer um superministério para Campos, que teria então condições de trabalhar sua candidatura para 2018.

Por ora, todos quebram a cabeça sobre como demover Campos de se candidatar. "Eu não posso garantir se o Eduardo será ou não candidato, porque os fatos mudam. Mas hoje ele é uma figura do primeiro plano da política. Pensar na eleição de 2014 é pensar também no Eduardo", disse o senador Armando Monteiro (PTB-PE), aliado de Campos.

Status. Para o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), não há como fugir da candidatura de Campos em 2014. Ele enumerou os motivos. Em primeiro lugar, houve um forte crescimento do PSB nas últimas eleições; em segundo, há uma percepção de que o eleitorado quer um candidato jovem, gestor experimentado, bem avaliado e com inserção no mundo econômico. Para ele, Campos reúne esses requisitos. "Pesa contra o status quo a longa trajetória tucano-petista, que vai chegar a 20 anos."

Na visão de Albuquerque, há espaço para duas candidaturas da esquerda. O atual governo depara-se com problemas antigos e não consegue resolvê-los, como o pacto federativo. "Prefeitos e governadores continuam a carregar o ônus da Federação e o governo federal o bônus."

Albuquerque lembrou que o País está sem Orçamento para 2013 (só deve ser votado na semana que vem), o Fundo de Participação dos Estados (FPE) foi extinto, e há uma crise energética, seja pelo uso de termoelétricas para evitar o apagão, seja pela crise na produção de gasolina e álcool, com prejuízos para a Petrobrás. "A crise está batendo à porta, não há dúvida."

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) reconhece o crescimento de Campos, mas acha que o governador não está tão forte como pensa. "O grande problema do Eduardo é São Paulo. Ele não é conhecido lá. Também não vai bem nos Estados do Sul nem no Rio de Janeiro. E o eleitorado dessa região resolve qualquer eleição", analisou. "Ao contrário, Dilma é muito bem avaliada nesses Estados com maior número de eleitores. Isso a torna favorita."

Do lado de Campos, existe a informação de que ele poderia disputar 2014 mesmo sem chances de vencer. O objetivo seria ganhar visibilidade com a campanha. Desse modo, em 2018 seria um candidato competitivo - e sem depender da promessa de apoio do PT.

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