Alex Silva, Daniel Teixeira e Tiago Queiroz/Estadão
Alex Silva, Daniel Teixeira e Tiago Queiroz/Estadão

Último programa de TV tem menos padrinhos, foco em números dos candidatos e novas promessas

Pesquisa Ibope mostrou que menos da metade das pessoas sabe dizer, de forma espontânea, o número do candidato em que pretende votar no domingo

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2020 | 14h23

No último programa de rádio e TV antes da votação, no domingo, os candidatos à Prefeitura de São Paulo que, segundo as pesquisas mais recentes, têm chance de ir ao segundo turno, fizeram um apelo a suas propostas pela cidade. Em comparação com as primeiras semanas de campanha, a propaganda desta quinta-feira, 12, teve menos espaço para padrinhos e focou na exposição dos números dos concorrentes e em promessas de última hora. 

De acordo com pesquisa Ibope/TV Globo/Estadão divulgada na última segunda-feira, 9, menos da metade dos entrevistados soube dizer, de forma espontânea, o número do candidato em que pretende votar no domingo.

Na primeira posição do Ibope, com 32% das intenções de voto, Bruno Covas (PSDB) manteve, no programa desta quinta-feira, a estratégia de apresentar seu trabalho nos últimos dois anos à frente da Prefeitura. No programa do rádio, disse que mesmo estando à frente na pesquisa, "não tem eleição ganha" e apresentou um áudio do seu avô, o ex-governador Mário Covas. Eleito em 2016 como vice do agora governador João Doria (PSDB), que, segundo o Ibope, tem a atuação considerada ruim ou péssima por 49% dos eleitores, o atual prefeito não mostrou o correligionário no horário eleitoral gratuito.

Celso Russomanno (Republicanos) começou a campanha apostando na relação com o presidente Jair Bolsonaro, que chegou a aparecer em alguns dos programas na TV. Na capital paulista, o governo dele é considerado ruim ou péssimo por 54% das pessoas, também de acordo com o Ibope. Na propaganda desta quinta-feira, Russomanno deixou o presidente de fora e falou sobre suas principais bandeiras: auxílio emergencial, vale-creche e hospital para pets. 

Duas novidades da propaganda foram a citação ao Leve Leite, programa lançado em 1996 pelo então prefeito Paulo Maluf (PP), que dá leite em pó para crianças em situação de vulnerabilidade, e prometeu "apoio ao Uber e aos entregadores". Na eleição de 2016, Russomanno afirmou que, naquela época, o Uber atuava na ilegalidade, pois o transporte de passageiros só poderia ser feito em veículos com placa vermelha, como táxis. A citação foi apontada como um dos motivos para sua queda nas pesquisas daquela vez. 

O Ibope de segunda-feira e o Datafolha publicado ontem mostram a mesma tendência de queda nas pesquisas nessas eleições. O candidato do Republicanos está com 12% das intenções de voto no Datafolha, numericamente abaixo de Guilherme Boulos (PSOL), que aparece com 13%. Com 17 segundos no horário eleitoral, Boulos falou sobre os resultados nas pesquisas, que mostram seu voto como sendo mais consolidado entre todos os candidatos. 

Também com chances de chegar ao segundo turno, Márcio França (PSB), que tem 10% no Ibope, criticou a gestão Covas que, em suas palavras "só bateu cabeça" na administração da pandemia" e falou de criar programas de frente de trabalho e de concessão de crédito para pequenas e empresas. Na TV, sua fala é acompanhada por imagens com seu número da urna em várias situações diferentes: numa camiseta, no número de um estacionamento, num ônibus.

Jilmar Tatto (PT) disse que o partido, que já comandou São Paulo duas vezes desde 1989, está pronto para voltar à Prefeitura. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não falou nada no programa e só foi mostrado em uma rápida imagem, seguida por uma foto de um discurso do ex-prefeito Fernando Haddad e de outras figuras do partido. Tatto fez uma referência ao bordão usado por Lula na campanha presidencial de 2002, ao dizer que "a esperança vai vencer o medo".

Arthur do Val (Patriota) não teve direito ao programa no rádio hoje, pois a Justiça cedeu um direito de resposta a Covas. Na TV, apresentou dados de que sua campanha digital é a maior entre os candidatos e de que recebeu mais de R$ 600 mil de doações de pessoas físicas. Ele fez toda a campanha dizendo que não usaria verba do fundo eleitoral. 

Joice Hasselmann (PSL), que começou o horário político fazendo memes com a personagem Mrs. Piggy, o que gerou reclamações da Disney, detentora dos direitos autorais, apareceu pedindo o voto e dizendo que uma campanha se faz encontrando "fé onde há desilusão".

Andrea Matarazzo (PSD) insistiu que se preparou para ser prefeito ao passar por cargos públicos e citou os problemas criados pela pandemia do novo coronavírus.

Orlando Silva (PCdoB) fez uma propaganda em que disse que conheceu desde jovem a desigualdade e o racismo e que pretende derrogar "Bolsonaro e o fascismo" em São Paulo.

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