Nilton Fukuda|Estadão
Nilton Fukuda|Estadão

Tucanos ajudam rival de Doria em São Paulo

Militantes históricos do PSDB atuam para a pré-candidatura de Matarazzo, do PSD

Pedro Venceslau e Mateus Coutinho, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2016 | 06h44

Quadros importantes do PSDB paulistano já trabalham abertamente pela pré-candidatura a prefeito do vereador Andrea Matarazzo (PSD), egresso do partido tucano após ter sido derrotado pelo empresário João Dória em convenção.

Mesmo com apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do senador Aloysio Nunes e do ministro das Relações Internacionais, José Serra, Matarazzo perdeu, em março, as prévias para Doria. Em seguida, ele deixou a legenda e será ca o candidato pelo PSD.

Entre os tucanos que neste momento seguem ao lado de Matarazzo estão Arnaldo Madeira, Hubert Alqueres, Luís Sobral e vários militantes que integram o comando partidário.

“Dos 71 membros do diretório do PSDB paulistano, grande parte ainda é ligada ao Andrea e trabalha no gabinete dele”, afirma Julio Semeghini, um dos coordenadores da pré-campanha de Doria.

Como resposta, o diretório estadual do PSDB ameaça expulsar os dissidentes. “Quem não quiser apoiar o João Doria, não pode apoiar o Matarazzo. Não podemos brincar com isso”, diz o deputado Pedro Tobias, presidente do PSDB paulista.

A legenda chegou a divulgar uma resolução “lembrando” que os tucanos devem apoiar o candidato do partido na eleição. “Essa resolução revela o temor de que uma parte do PSDB não apoie o candidato do partido”, diz o ex-deputado federal Arnaldo Madeira.

Ele reconhece que tem participado de reuniões com Matarazzo, mas nega que pretenda participar da coordenação de sua campanha. “No João Doria eu não voto. Ele não terá o meu apoio”, diz Madeira.

Após a desistência de Matarazzo, o segundo turno das prévias, no dia 19 de março, teve 3.266 votantes, com 3152 (96.5%) votos para Dória, 68 votos em branco (2.1%) e 46 (1.4%) nulos. No primeiro turno, Doria teve 2.681, Matarazzo 2.045 e Ricardo Tripoli 1.387.

Justiça. A menos de um mês do início das convenções partidárias que oficializarão os candidatos à Prefeitura de São Paulo, lideranças do PSDB próximas a Matarazzo também tentam derrubar na Justiça Eleitoral a candidatura do empresário.

O ex-governador Alberto Goldman e o senador José Aníbal prestaram depoimento ao Ministério Público eleitoral na semana passada e formalizaram as denúncias de que Doria teria praticado abuso de poder econômico nas prévias.

O MPE recebeu três representações eleitorais contra Dória. Além da feita pelos tucanos, outra é de um cidadão e a terceira do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.

“Vejo indícios de abuso de poder econômico. Estamos fazendo um pente fino na pré-campanha”, disse ao Estado o promotor José Carlos Bonilha, responsável pelo procedimento investigativo. Ele afirma, ainda, que pretende mais dez envolvidos na pré-campanha.

Entre eles está um motorista de van que teria levado filiados para locais de votação e pessoas que disseram ter recebido dinheiro para trabalhar na pré-campanha. Caso sejam comprovadas as irregularidades, o MP pode pedir a cassação do registro de Doria. Entre outras acusações, Goldman e Aníbal afirmam que João Doria pagou transporte, alimentos e até teria promovido um churrasco para militantes com recursos que não eram do partido.

Um dos coordenadores da pré-campanha de Doria, o tucano Julio Semeghini diz que as prévias foram feitas dentro da lei eleitoral. “O processo atendeu também a regulamentação do partido”, conclui.

O empresário sempre negou as irregularidades atribuídas pelos adversário. Ontem, ele não quis se manifestar. Se a candidatura dele for impugnada pela Justiça, o partido terá que escolher outro nome na convenção.

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