Tucanos tentam barrar aliança entre Kassab e PT em São Paulo

Governador Geraldo Alckmin cria força-tarefa para evitar fim da aliança que administra o Estado e, de novo, convencer Serra a disputar eleição

Julia Duailibi, de O Estado de S.Paulo, Gustavo Uribe e Daiene Cardoso, da Agência Estado

01 de fevereiro de 2012 | 03h02

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), articulou uma força-tarefa para evitar que seja viabilizada a aliança PT-PSD, apoiada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na eleição pela Prefeitura paulistana neste ano.

Alckmin delegou a quatro de seus secretários com bom trânsito político (Casa Civil, Planejamento, Habitação e Desenvolvimento Metropolitano) a função de intensificar as conversas com Kassab, que anunciou na segunda-feira, 30,  a formalização da proposta de aliança com o PT. Também chamou nesta semana parlamentares a seu gabinete para pedir que conversem tanto com o prefeito quanto com o ex-governador José Serra, na esperança de que ele reverta sua decisão de não entrar na disputa municipal.

Alckmin disse a interlocutores estar preocupado com a viabilidade eleitoral dos quatro pré-candidatos tucanos - Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli -, que se inscreveram nas prévias, principalmente num cenário sem o apoio de Kassab.

Para fechar a aliança com os tucanos, Kassab coloca como condição que o PSDB apoie o vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD). O prefeito havia pedido aos tucanos uma resposta em janeiro, o que não aconteceu. Paralelamente, iniciou conversas com o PT.

Nessa terça-feira, 31, Afif falou pela primeira vez da pré-candidatura. A declaração do vice-governador, que resistia a se declarar pré-candidato sem o apoio do PSDB, atende à estratégia de Kassab de pressionar os tucanos pela aliança. Em mensagem no Twitter, disse: "Aceitei ser pré-candidato a prefeito de SP pelo PSD". Mas escreveu que ainda acredita na aliança entre PSD e PSDB.

O grupo ligado a Serra defende a aliança com Afif e continua descartando a entrada do ex-governador na disputa. O tucano que ser candidato a presidente em 2014 e um dos cenários apontados por seus aliados é a saída dele do PSDB rumo ao PPS, onde poderia colocar em prática seu projeto político nacional.

Alckmin quer reverter a decisão de Serra. Um dos recados enviados ao ex-governador é o de que a tropa alckmista estará, de fato, ao lado dele, caso ele entre na disputa - há no partido quem aposte que o governador apoiará veladamente a candidatura de Gabriel Chalita (PMDB), de quem é próximo.

Embora a candidatura de Serra traga o PSD de Kassab, a avaliação hoje em ambos os partidos é a de que o prefeito não quer o ex-governador na disputa municipal, para se aproximar assim do PT na capital.

Conversas. Alckmin afirmou nessa terça que a aliança com o PSD, tendo Afif na cabeça de chapa, não está "descartada" e que as conversas com Kassab não estão encerradas, como dissera o prefeito. "Nenhuma hipótese pode ser descartada em uma conversa", disse o tucano, que elogiou o vice-governador: "É um grande nome, tem serviço prestado a São Paulo, é um nome preparado para responsabilidades importantes".

Alckmin ponderou, contudo, que é natural que o PSDB tenha candidatura própria nas eleições. "Nenhuma hipótese pode ser descartada em uma conversa. Agora, é natural que o PSDB queira ter o candidato ao cargo majoritário", afirmou.

"Vamos trabalhar muito para que esse relacionamento com o PT não comece", afirmou o presidente municipal do PSDB em São Paulo, Julio Semeghini.

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