AP Photo/Eraldo Peres
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Tucanos já pressionam por saída de Geraldo Alckmin

Pior desempenho desde 1989 cria pressão para tirá-lo da presidência do partido

Pedro Venceslau e Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 03h00

Este ano, o PSDB registrou o pior desempenho de um candidato em eleições presidenciais desde 1989, o que levou dirigentes do partido a apontarem erros de Geraldo Alckmin na condução da presidência da legenda. O tucano registrou cerca de 5 milhões de votos, pouco mais de 4% do total – o que prejudicou também o desempenho dos candidatos a deputados, especialmente em São Paulo

Antes mesmo do resultado das urnas, já havia pressão para que Alckmin deixasse a presidência do partido, apesar do seu mandato só terminar em dezembro de 2019. O movimento foi verbalizado pelo prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), que integra a direção estadual do partido em São Paulo. “Alckmin precisa reavaliar a permanência dele na presidência do PSDB. O partido não se reposicionou, e isso teve um impacto direto nas eleições proporcionais”, disse.

Já há pressão de parte da bancada do partido e de lideranças regionais para que o PSDB declare apoio formal a Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno, mas a tendência é pela liberação do voto. A direção executiva da sigla vai se reunir essa semana para discutir o tema. 

Em 2014, o partido elegeu dois governadores no primeiro turno – Alckmin em São Paulo e Beto Richa no Paraná – e outros três no segundo – Reinaldo Azambuja no Mato Grosso do Sul, Simão Jatene no Pará e Marconi Perillo em Goiás. A eles, se juntou mais tarde Pedro Taques (MT), que deixou o PDT em 2015.

Neste ano, o partido pretendia ampliar de seis para sete os Estados sob seu comando. No entanto, não conseguiu nenhuma vitória no primeiro turno e poderá apenas manter o desempenho de 2014 caso consiga vencer em todas as seis disputas em que ainda continuam vivos: São Paulo, com João Doria; Minas Gerais, com Antonio Anastasia; Rio Grande do Sul, com Eduardo Leite; Rondônia com Expedito Jr.; Mato Grosso do Sul, com Reinaldo Azambuja; e Roraima, com José Anchieta.

Na contabilidade do partido, a principal baixa é o Mato Grosso, onde Taques ficou em terceiro na disputa que elegeu Mauro Mendes (DEM). Além da situação nos Estados, o partido também não elegeu tucanos importantes que tentavam vaga no Senado, caso de Beto Richa, no Paraná, e Marconi Perillo (Goiás), que é vice-presidente nacional da legenda. Ambos foram alvos de ações da Polícia Federal a menos de duas semanas do primeiro turno. 

A contabilidade negativa continua quando se observam os resultados na disputa entre deputados federais: o PSDB de São Paulo foi de 14 para 7 federais – e José Aníbal não se elegeu. A mesma desidratação se verificou na luta entre os deputados estaduais: os tucanos caíram de 22 para 10 eleitos.

Votação

Alckmin votou ontem pela manhã no Morumbi, em São Paulo, e depois passou o dia seu apartamento com familiares. Terminada a apuração, fez um pronunciamento no comitê de campanha, no centro, no qual agradeceu a “acolhida” e os votos. 

Poucas lideranças do PSDB foram ao comitê para acompanhar o último pronunciamento de Alckmin, que chegou acompanhado de sua vice, Ana Amélia (PP-RS), e do senador José Serra (PSDB-SP)

O ex-prefeito João Doria, que disputa o governo de São Paulo pelo PSDB e terminou em primeiro lugar a disputa no primeiro turno, não foi ao comitê e montou uma estrutura paralela para acompanhar a votação. O PSDB paulista se reúne na manhã de hoje para definir a posição no 2° turno, mas Doria deve apoiar Jair Bolsonaro. 

Expulsão

O presidente do PSDB de São Paulo, deputado Pedro Tobias, encaminhou à direção nacional do partido, que é presidido Geraldo Alckmin, um pedido de expulsão do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio. Motivo: ele declarou, na semana passada, apoio à candidatura de Marina Silva (Rede) em vez de apoiar o presidenciável tucano.

Desafeto do candidato do partido à Presidência, Virgílio declarou apoio e fez campanha ao lado de Marina na semana passada. No começo do ano, o prefeito tentou disputar prévias para a nomeação tucana à corrida ao Planalto, quando fez diversas críticas a Geraldo Alckmin, mas acabou desistindo. 

O diretório paulista já expulsou até agora sete integrantes de seus quadros, entre prefeitos e vereadores, que declararam apoio a Jair Bolsonaro (PSL) antes mesmo da votação do primeiro turno. Outros três processos foram instalados na semana passada, tendo como alvos militante que criaram um grupo de apoio ao voto “Bolsodoria”, e devem ter o mesmo desfecho. 

Em alta

Eduardo Leite, governador no RS: Com 33 anos, o ex-prefeito da cidade de Pelotas deixou a condição de “nanico” para um dos favoritos nas eleições estaduais em menos de dois meses. Sua forma direta de se comunicar atingiu principalmente o eleitorado mais jovem e o sem participação política.

João Doria, candidato a governador em SP: O ex-prefeito de São Paulo resistiu à pressão de correligionários (capitaneada por Geraldo Alckmin) para não concorrer ao governo estadual e se tornou o primeiro colocado no primeiro turno, ao encarnar principalmente o sentimento antipetista.

Em baixa

Aécio Neves, candidato eleito a deputado federal: Quatro anos depois de perder uma eleição presidencial por diferença inferior a 3,5 milhões de votos, o ex-senador foi vaiado e xingado de “golpista” enquanto votava na tarde de ontem, mas conseguiu se eleger deputado federal por Minas Gerais na 18ª posição. 

Geraldo Alckmin, candidato derrotado à presidência: Depois de vencer uma disputa interna no partido para concorrer pela segunda vez à Presidência da República, o ex-governador perdeu apoio de aliados, que aos poucos se afastaram, terminando assim na quarta colocação, o pior desempenho desde a eleição de 1989.

Marconi Perillo, candidato derrotado ao Senado: Governador de Goiás por quatro mandatos e coordenador da campanha à presidência de Geraldo Alckmin, o candidato ao Senado viu suas chances derreterem ao se tornar réu por corrupção passiva, no início de setembro. Com isso, terminou a eleição em 5º lugar.

Beto Richa, candidato derrotado ao Senado: O ex-governador do Paraná era considerado um forte candidato ao Senado Federal até ser preso durante quatro dias, acusado de desvios na gestão, o que provocou uma queda nas pesquisas de intenção de voto. Com isso, terminou a eleição de ontem na sexta posição.

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