Tucanos já põem Perillo em xeque e admitem novo depoimento na CPI

A cúpula do PSDB começou a reavaliar a situação do governador de Goiás, Marconi Perillo, acusado em relatório da Polícia Federal entregue ao Superior Tribunal de Justiça de firmar um "compromisso" espúrio com a Delta Construções, por meio do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, quando assumiu o governo em 2011 .

VANNILDO MENDES , RICARDO BRITO , EDUARDO BRESCIANI /BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2012 | 03h04

Líderes tucanos que leram o documento admitem nos bastidores que as provas são robustas e consideram delicada a situação do governador. Na esfera interna, o PSDB já dá como provável a convocação de Perillo para novo depoimento à CPI do Cachoeira após o recesso do Congresso, de amanhã até 31 de julho, a fim de explicar contradições em torno da venda de uma casa em Goiânia - a PF afirma que Perillo recebia cheques do esquema de Cachoeira pela venda do imóvel e, simultaneamente, fazia pagamentos do governo à Delta.

Oficialmente, o PSDB saiu ontem em defesa de Perillo. "Não há razão para o partido reavaliar seu apoio ao governador, que continua merecedor de nossa total confiança", disse o presidente da sigla, deputado Sérgio Guerra (PE). Ele insistiu que a acusação sobre a casa foi explicada à CPI em junho. Para ele, a comissão deveria voltar-se a outros governadores, como Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Sérgio Cabral (PMDB), do Rio.

Mas o partido, diz, espera que Perillo se manifeste, "como fez em outras tantas vezes em que respondeu aos questionamentos de forma firme e convincente".

Na mesma linha, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse manter a confiança em Perillo. "Nada contra a convocação, não seremos obstáculo, mas a pergunta é: convocar para quê? Para repetir as mesmas perguntas e ouvir as mesmas respostas? Ele explicou tudo o que precisava e não há razão nenhuma para falar de novo sobre fatos que já esmiuçou."

O PSDB reconhece que a rede criminosa é multipartidária e que em seus quadros há membros contaminados. A sigla já desistiu, por exemplo, de defender o deputado Carlos Alberto Leréia (GO), outro tucano envolvido com Cachoeira.

Investida. Diante das novas denúncias contra Perillo, os petistas decidiram investir politicamente contra os adversários.

O vice-presidente da comissão, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), defendeu o indiciamento do tucano. O relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), confirmou que vai indiciá-lo no relatório que pretende fechar no fim de agosto.

Para o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), nem é necessário reconvocar Perillo. Para ele, o tucano mentiu em seu depoimento e merece ser cassado pelo elo com o contraventor. "Convocar para quê? Para ele dar o showzinho dele? Bobagem. O que a CPI deveria fazer é representá-lo no Ministério Público e no Superior Tribunal de Justiça."

Tatto vê três fatos que depõem contra Perillo. "Primeiro: a casa, que está provada que foi Cachoeira quem comprou. Segundo, a cota de funcionários que ele colocou no governo e, em terceiro, Cachoeira pagou dívidas de campanha".

Réu. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) requereu à CPI a reconvocação de Perillo, agora na condição de réu, e não de testemunha. Para Randolfe, não resta dúvidas de que Marconi estava comprometido com o esquema Cachoeira. Se a CPI aprovar o requerimento, após o recesso,Marconi poderá pedir ao Supremo o direito de ficar calado, como fizeram outros depoentes. Em junho, o tucano foi ouvido como testemunha.

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