Tucanos já admitem abrir mão por Serra

Dois dos quatro pré-candidatos indicam apoiar ex-governador, mas após as prévias

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2012 | 03h08

Os dois pré-candidatos tucanos tidos pelo governo paulista como os mais propensos a aceitar uma desistência em favor de José Serra, se vencerem as prévias de 4 de março, deram sinais de que podem negociar com a cúpula do partido.

Indagado sobre o assunto, o secretário de Cultura, Andrea Matarazzo, o mais próximo de Serra entre os quatro postulantes, afirmou ser "ofensivo" que se fale em acordos ou compensações para abrir mão de uma eventual candidatura, mas deixou as portas abertas para tratativas após as eleições internas.

"(Caso) vencedor das prévias, tenho que discutir com o governador e com o partido o processo eleitoral para a frente", disse, e comentou sobre Serra: "O principal interessado não se manifestou. Enquanto ele não se manifestar, eu não vou conjecturar".

Diante das mexidas no cenário com a possibilidade da entrada de Serra, o secretário de Meio Ambiente, Bruno Covas, pré-candidato mais alinhado com o governador Geraldo Alckmin, fez o Palácio dos Bandeirantes saber que topa conversar, mas disse que o jogo precisa ser "bem acertado" entre as partes. Segundo um tucano, Bruno anda "muito apreensivo" com as implicações de um "sim" de Serra.

Publicamente, no entanto, ele afirmou que a hipótese da desistência é "absurda", e sustentou que não passa de especulação. "Seria um desrespeito a todos aqueles que vão votar no dia 4 de março. Não tem nenhum sentido você pedir a opinião dos 20 mil filiados e depois desrespeitar essa decisão", afirmou.

O secretário José Aníbal (Energia) esbravejou diante da tese da cessão da vaga. "No que se refere a mim, nenhuma hipótese. Esse povo precisa aprender a respeitar os outros. Imagina! Eu tenho história de vida, fui presidente de partido, líder, secretário. Que história é essa?", indagou.

Por sua vez, o deputado Ricardo Tripoli afirmou que as internas tucanas são "um patrimônio da militância do PSDB". "Não existe a menor hipótese de abrir mão para qualquer um que não seja aqueles quatro que estão disputando", disse o parlamentar.

Café. Os quatro pré-candidatos se encontraram ontem em um restaurante na zona sul de São Paulo para tomar café da manhã e fincar pé na irreversibilidade do processo interno para escolher o representante do PSDB na eleição. Foi uma resposta ao recrudescimento da movimentação dos setores tucanos antiprévias ocorrido nos últimos dias.

Todos disseram desconhecer qualquer movimentação de Serra em direção a uma candidatura. Aliado do ex-governador, Matarazzo sustentou não ter recebido nenhuma sinalização de que ele deseja concorrer. "Converso sempre com o Serra. Nunca houve uma manifestação do Serra de 'vou ser candidato'." Matarazzo assegurou que as prévias não serão desmobilizadas. "O processo de prévias é uma realidade, foi definido pelo governador, está estabelecido, ata feita, convocação feita, data marcada."

Os demais deram declarações no mesmo sentido. "Não há a menor possibilidade de retroagirmos nesse processo", sustentou Tripoli. "Vai ter prévia, não tenho dúvida disso", disse Aníbal.

"Estamos discutindo, inclusive, as pontes para unificar, no dia 5 de março, em torno daquele que vencer", disse Bruno.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.