Tucanos ficam 'aliviados' com texto de Serra, que não vai a ato em Brasília

Aécio classifica nota de colega como 'gesto de desprendimento'; tucanos falam em buscar unidade

Ricardo Chapola e Erich Decat / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2013 | 02h06

A nota do ex-governador José Serra divulgada anteontem nas redes sociais na qual ele diz que o nome de Aécio Neves deve ser lançado à Presidência "sem demora" foi recebida com "alívio" pela cúpula tucana, já alinhada ao projeto presidencial do senador mineiro. O próprio Aécio comentou a nota do colega paulista, classificando-a de um "gesto de desprendimento".

Serra postou a mensagem após se ver isolado no partido. Ele escreveu: "Como a maioria dos dirigentes do partido acha conveniente formalizar o quanto antes o nome de Aécio Neves para concorrer à Presidência da República, devem fazê-lo sem demora".

Após participar do lançamento da cartilha com diretrizes que devem nortear o programa partidário na próxima disputa eleitoral, Aécio comentou a decisão. "Não deixo de reconhecer que é um gesto importante na direção da unidade partidária. É um gesto que chamaria de desprendimento do ex-governador."

"Achei excelentes as declarações de Serra. Ele é um homem público, experiente, é natural que ele desejasse ser candidato a presidente. Já foi candidato do partido por duas vezes, mas desta vez não era o caso. É uma declaração muito sóbria da parte dele", afirmou o presidente do Instituto Teotônio Vilela, deputado Sérgio Guerra (PE). "Mostra que o PSDB não está dividido. Agora não há divisão, como o próprio Serra colocou."

Serra não participou do evento de Aécio ocorrido na tarde de ontem em um auditório na Câmara dos Deputados. O discurso de "união" também foi reverberado por outros tucanos. "Serra agiu em consonância com o sentimento do partido no âmbito nacional e de cada diretório regional. Mostrou nobreza de seus propósitos e preocupação com a unidade partidária e tira o discurso daqueles que apostavam numa discórdia", afirmou o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP).

Após o encontro, o deputado Vanderlei Macris (SP) chegou a defender que se faça nos próximo dias um "ato nacional" do partido com a participação de Serra ao lado de Aécio. "O clima da reunião estava muito bom por conta da iniciativa de Serra. Na minha opinião, temos que fazer um ato nacional consolidando esse gesto", afirmou.

Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que também não esteve presente no evento de ontem em Brasília, disse que Aécio "já é o candidato" do PSDB. "À medida que o Serra não é candidato, o Aécio já é candidato", afirmou.

Alckmin foi candidato à Presidência da República em 2006. Serra foi candidato em 2002 e em 2010. Seus aliados reclamaram de Aécio durante as campanhas, em que acabaram derrotados pelo PT. Na visão dos apoiadores, o hoje senador não se empenhou o suficiente para ajudá-los a obter boa votação em Minas Gerais.

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