JB Neto/AE - 16.01.2011
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Tucanos descartam entrada de Serra e reservam R$ 400 mil para as prévias

Os 4 pré-candidatos do PSDB à Prefeitura de SP querem gastar R$ 100 mil cada com disputa interna; partido prometeu arcar com despesas

Julia Duailibi, de O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2012 | 03h07

Os quatro pré-candidatos tucanos à Prefeitura de São Paulo descartam a entrada do ex-governador José Serra na disputa e já estipulam gastar com as prévias R$ 400 mil - R$ 100 mil cada. O PSDB municipal decidiu que bancará a campanha interna feita pelos pré-candidatos com os filiados.

Em resposta a questionários enviados pelo Estado, os quatro tucanos também disseram que não pretendem abrir mão das prévias que serão realizadas no dia 4 de março, e até agora inéditas na história do partido - tradicionalmente, os tucanos preferiram acordos de cúpula a realizar disputas intrapartidárias.

"Serra não será candidato à Prefeitura, logo, não há discussão sobre abrir ou não mão da candidatura", declarou o secretário estadual de Cultura, Andrea Matarazzo. "O fato concreto é que Serra já afirmou e reiterou que não será candidato. Ponto", afirmou o secretário estadual de Meio Ambiente, Bruno Covas.

Na semana passada, o Estado revelou que Serra reuniu-se com aliados e avisou que não pretende se candidatar a prefeito.

Resolução 23.086 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a mais recente sobre o tema, diz que os partidos podem bancar os custos das prévias e, inclusive, arrecadar recursos para a disputa. A regra, no entanto, proíbe a captação de recursos pelos pré-candidatos, mas não veda o uso de dinheiro próprio.

Em ofício enviado ao partido, os quatro pré-candidatos estipularam gastar R$ 100 mil cada em suas andanças pela cidade, incluindo transporte, assessoria e mala-direta. A direção do PSDB cortou o valor para R$ 50 mil por candidato, mas admite revisões.

"Fizemos alguns apontamentos porque os pré-candidatos não podem fazer captação. O partido repassará os recursos para garantir, inclusive, equidade nos gastos", afirmou o tesoureiro do PSDB municipal, Fábio Lepique.

Segundo o tesoureiro, a legenda não pretende procurar doadores. Usará nas prévias recursos próprios - do fundo partidário e da contribuição de militantes tucanos.

Outro pré-candidato tucano, Ricardo Tripoli disse já ter gastado R$ 36.280, nos últimos cinco meses, com "recursos pessoais". Matarazzo afirmou que até agora foram cerca de R$ 50 mil, com assessoria, transporte e mala-direta. Os outros dois pré-candidatos - Bruno e José Aníbal - não divulgaram o total de gastos.

Apesar de filiados tucanos afirmarem que responderam a pesquisas de intenção de voto sobre as prévias, nenhum dos pré-candidatos admite ter encomendado sondagens. Tripoli disse que fez apenas "enquete por telefone com a própria equipe".

Mimos. Os pré-candidatos negaram ter enviado presentes a militantes no final de 2011. Matarazzo disse feito um "gesto de carinho a poucas pessoas, como faço há anos". Ele enviou cartões de visitas personalizados aos filiados.

Bruno criticou o envio de presentes, num ataque indireto a Matarazzo. "Além de considerar a prática absolutamente errada, resolução da executiva municipal do PSDB, em seu artigo 3.º, impõe a observância da lei. Esta, por sua vez, proíbe a distribuição de brindes de qualquer natureza, constituindo este ato 'compra de votos'. Crime eleitoral."

O PSDB distribuirá urnas eletrônicas pelas 58 zonas eleitorais da cidade. O partido prevê que, dos cerca de 21 mil militantes recadastrados, no máximo 5 mil participem do processo. A eleição será em uma rodada, apesar de Bruno Covas ter apresentado proposta à Executiva de dois turnos - a teoria é rechaçada pelos demais pré-candidatos.

"É o estatuto dos partidos que prevê a organização administrativa, política e organizacional. As prévias são um assunto interna corporis", disse o advogado especialista em direito eleitoral, Tito Costa. Para o procurador regional eleitoral Pedro Barbosa Pereira Neto, é possível que, nas prévias, ocorra propaganda eleitoral antecipada, o que é proibido e pode provocar uma reação do Ministério Público. O TSE diz que a campanha deve ser feita apenas entre os filiados.

Tradição rompida. O PT é o partido que tradicionalmente definiu seus candidatos por prévias. No ano passado o ex-presidente Lula desarticulou o processo de escolha interno que estava em curso ao indicar o Fernando Haddad como o candidato. O PSDB nunca usou o mecanismo. Em 1992, promoveu disputa entre Getúlio Hanashiro e Fabio Feldman para escolher o candidato a prefeito. Mas a escolha foi feita na convenção.

 

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