Tucanos criticam decisão sobre venda de bebidas

Alckmin acusa governo federal de 'omissão'; para Serra, Estatuto do Torcedor é claro e não tem cabimento ceder à Fifa

FELIPE FRAZÃO, DAIENE CARDOSO/AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2012 | 03h04

O PSDB manteve discurso afinado ontem, sobre a decisão do governo federal de repassar a responsabilidade de decidir sobre a liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol aos Estados que sediarão jogos da Copa de 2014. Tanto o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, quanto o pré-candidato tucano à Prefeitura, José Serra, criticaram a proposta. Serra foi incisivo: "Toma que o filho é teu", definiu o ex-ministro da Saúde do governo FHC.

Para Serra, o governo deve cumprir o Estatuto do Torcedor e não abrir exceção. "Se tem uma legislação nacional, o governo tem que cumprir. Se quer mudar, manda um projeto para o Congresso", disse Serra após visitar o Hospital de M'Boi Mirim no Jardim Ângela, zona sul da capital. "A lei vale, exceto quando for a Fifa. Não tem cabimento."

Alckmin avaliou que o acordo no Congresso para aprovação da Lei Geral da Copa - segundo o qual a liberação das bebidas caberá aos Estados - é uma omissão do governo. "A mim me parece uma omissão da área federal, porque as 12 cidades devem ter um trabalho homogêneo. Essa questão deve ser vista harmonicamente entre municípios e Estados, para cada um não fazer de um jeito", disse o governador.

Alckmin disse que, caso a decisão caiba aos Estados, trabalhará com os governadores dos Estados-sede para que o País tenha posição única. "Ou não se permite em lugar nenhum ou se permite em todos", reforçou, lembrando que a legislação paulista proíbe a venda de bebidas alcoólicas nos estádios e teria que ser mudada para atender aos interesses da Fifa. Segundo Serra, a União tenta se desfazer de um tema incômodo e empurra o problema - a alteração no artigo 13 do Estatuto do Torcedor, que proíbe o porte de "bebidas ou substâncias proibidas ou suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência" nos estádios. "O problema continua existindo. Por que não bancam a alteração do Estatuto do Torcedor?", indagou o ex-governador.

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