Tucanos cogitam lançar irmã de Aécio ao governo

Andrea Neves nega intenção de disputar cargo em Minas Gerais, mas nos últimos dias aderiu às redes sociais e tem aparecido em eventos públicos

MARCELO PORTELA , BELO HORIZONTE , O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2012 | 03h08

Sem um nome de peso para disputar a eleição ao governo de Minas Gerais em 2014, integrantes do PSDB já cogitam lançar Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves, para fazer frente a uma provável candidatura do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), que deve entrar no pleito pelo PT turbinado pela passagem pelo governo federal.

Oficialmente, a maior parte do tucanato diz que a eleição ainda está longe e que a questão não está em pauta. Nos bastidores, porém, o partido já se movimenta para tentar promover nomes para a disputa, já que o atual governador, Antonio Anastasia (PSDB), não pode ser reeleito.

Uma das possibilidades seria a candidatura do vice, Alberto Pinto Coelho (PP), que tem participado de diversas solenidades representando o governo em Belo Horizonte e no interior do Estado. Mas a hipótese não é muito bem-vista por parte dos tucanos. "Queremos caminhar com o maior número de aliados possível, mas o candidato tem que ser do PSDB", defende um dos representantes da legenda na Assembleia Legislativa de Minas.

Outro nome cogitado é o da secretária de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena. "A Renata é muito técnica, mas não tem experiência política", avalia o presidente do PSDB mineiro, o deputado Marcus Pestana.

O argumento também seria válido para Andrea Neves, atual presidente do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas). Mas, apesar de nunca ter passado pelo teste das urnas, Andrea tem experiência eleitoral. Foi a principal coordenadora das campanhas do irmão e é sua maior interlocutora no Estado.

Com a eleição de Aécio para o governo mineiro, em 2002, ela também participou da gestão e tornou-se a poderosa coordenadora da comunicação estatal, controlando inclusive a disputada verba publicitária do Executivo. "A Andrea é técnica e política, até pelo sangue. É talentosa, inteligente, tem sensibilidade social e está preparada para qualquer papel. Mas é muito precoce e não estamos discutindo isso agora", pondera Pestana.

Evidência. Tradicionalmente, Andrea é alheia a aparições públicas e, como lembra o presidente tucano, "tem mais um perfil de bastidor". No entanto, nos últimos dias ela inaugurou um blog, uma conta no Twitter, um perfil no Facebook e um canal no YouTube. E, como presidente do Servas, participou de diversos eventos promovidos pelo governo. Mas, em todos estes meios, os temas políticos são evitados.

Andrea nega que as iniciativas tenham cunho eleitoral e afirma que não tem intenção de participar diretamente de uma disputa. "Nunca fui candidata nem tive vontade de disputar. Exige um temperamento que nunca tive", afirma. "O nome dela não vem sendo discutido para nenhum cargo eletivo", reforçou Aécio Neves, por meio de sua assessoria.

Mesmo assim, o secretário de Estado, Danilo de Castro, um dos principais articuladores das campanhas tucanas em Minas, considera que ela é "um bom nome" para a disputa pelo governo e "faria frente tranquilamente" a qualquer candidato do PT. "Tenho muito respeito pelo Pimentel, mas não o vejo com essa força. Até porque, até agora não fez muita diferença para Minas. Ganhamos tranquilamente", alfineta.

Apesar de defender o nome de Andrea, Castro garante que não há nada definido. E avalia que, no caso de uma possível candidatura de Aécio à Presidência em 2014, a presença da Andrea seria muito importante na campanha. "Também há a possibilidade de abrir mão aqui (em Minas) por uma composição maior. A decisão é do governador e do Aécio", pondera. "É todo mundo 3%. O dono dos votos é o Aécio", concorda Pestana, ironizando a chance de outros candidatos.

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