Tucanos aproveitam viés de baixa de Dilma e assediam o PDT

Em São Paulo, José Serra, pré-candidato do PSDB, participou ontem da posse de secretário filiado ao partido da base

BRUNO BOGHOSSIAN , ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2012 | 03h03

Para firmar o apoio do PDT em um momento de turbulência na base aliada da gestão Dilma Rousseff, o governo tucano de São Paulo abriu espaço ontem para o partido em sua secretaria do Trabalho e convidou de surpresa para a posse do novo titular da pasta José Serra, pré-candidato à Prefeitura da capital.

A vaga no secretariado do governador Geraldo Alckmin faz parte de uma negociação para que os trabalhistas apoiem sua reeleição em 2014. O PSDB, no entanto, começou a se movimentar para tentar atrair o partido para a candidatura de Serra.

O PDT está empenhado em lançar na capital paulista seu presidente, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força. A presença de Serra na posse do secretário Carlos Ortiz foi uma primeira tentativa de demonstrar prestígio à legenda e abrir caminho para as conversas.

O PDT integra a base do PT em Brasília e apoiou a eleição de Dilma Rousseff em 2010, mas está próximo dos tucanos em São Paulo. O espaço aberto na secretaria estadual ao partido, no entanto, precede a pré-candidatura de Serra e está atrelada apenas à reeleição de Alckmin, sem vínculo com a disputa municipal.

"(A posse de Ortiz) não tem relação com a eleição de 2012. Nós conversamos com o PDT em janeiro", declarou o governador.

Serra entra no circuito para abrir uma segunda frente de negociações com os trabalhistas. Apesar do discurso firme de Paulinho, a equipe tucana não desistiu de uma aliança em favor de Serra e cogita ceder espaço ao partido na equipe de campanha ou em uma eventual gestão do PSDB na capital.

Ligação amistosa. No evento de ontem, Serra adotou discrição, mas fez um aceno a Paulinho. "(A possibilidade de uma aliança) é um assunto não ligado a essa secretaria. Mas uma ligação amistosa com o PDT existe", disse o ex-governador.

Em público, ele nega que tenha assumido negociações com líderes partidários e as atribui a aliados, como o prefeito Gilberto Kassab (PSD). No entanto, desde sua entrada na disputa Serra manteve contatos com os presidentes do PPS, Roberto Freire, e do PV, José Luiz Penna.

Trabalhando desde já para fortalecer o apoio ao ex-governador, sua equipe pretende manter as conversas partidárias nos bastidores até a prévia do PSDB, no dia 25.

Moderação. Alckmin não quis comentar o comportamento de seu secretário de Energia, José Aníbal, na campanha da prévia do partido. Ele havia pedido ao pré-candidato que moderasse as críticas a Serra. "A prévia do dia 25 é um respeito a toda a nossa militância, que dará enorme legitimidade a quem for escolhido", limitou-se a dizer Alckmin.

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