Tucano vai à CPI na terça, mas tenta antecipar defesa

Sob a mira da CPI do Cachoeira, que deverá aprovar a convocação do jornalista Luiz Carlos Bordoni, o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) deflagrou uma operação para preparar o terreno do seu depoimento à comissão. O tucano tem agido em duas frentes: uma fora do partido, na mira dos parlamentares da CPI, e outra dentro do seu partido, que tem tentado defendê-lo publicamente.

RICARDO BRITO, EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2012 | 04h21

Perillo quer evitar constrangimentos na comissão e, nas palavras de um correligionário, tentar "virar a página" das acusações de ligação com o contraventor Carlinhos Cachoeira. O depoimento do governador tucano está marcado para terça-feira, dia 12, um dia antes da ida do governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, à CPI.

Na semana que vem, a comissão também deve aprovar a convocação do jornalista Luiz Carlos Bordoni. Em entrevista ao Estado, Bordoni revelou que recebeu R$ 40 mil em dinheiro vivo das mãos de Perillo. Bordoni foi responsável pelas campanhas eleitorais de rádio do tucano. "Com certeza, ele (Bordoni) virá à CPI", afirmou o presidente em exercício da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Para tentar reduzir o desgaste de sua convocação, o primeiro movimento de Perillo foi feito pelo seu suplente, o senador Cyro Miranda (PSDB-GO), ontem pela manhã durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça. Falando em nome do governador, Miranda disse ao senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) que Perillo gostaria de conversar com ele antes de ir à CPI. Segundo ele, o governador quer apresentar sua defesa possivelmente no domingo ou na segunda-feira, véspera do depoimento.

Randolfe, porém, sugeriu-lhe que a conversa seja realizada na presença de um grupo de parlamentares tidos como independentes: o senador Pedro Taques (PDT-MT) e os deputados Miro Teixeira (PDT-RJ) e Rubens Bueno (PPS-PR). O senador ficou de dar uma resposta a Miranda. "Se a intenção é de amolecer meu coração, não surtirá efeito. A mesma coisa que eu perguntar para ele separadamente vou perguntar publicamente", afirmou Randolfe. O parlamentar disse que será difícil compatibilizar as agendas de todos com a de Perillo.

A situação política do governador piorou na terça-feira após o empresário Walter Paulo Santiago ter dito que comprou em julho de 2011 uma casa do governador, avaliada em R$ 1,4 milhão, em dinheiro vivo. Foi na residência que Cachoeira foi preso pela PF em 29 de fevereiro. Perillo sustenta a versão de que recebeu três cheques pela venda, repassados pelo ex-vereador Wladimir Garcez (PSDB), que intermediou a negociação. Segundo a PF, os cheques foram emitidos em nome de Leonardo de Almeida Ramos, sobrinho de Cachoeira.

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